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Oklahoma



Se algum dia, algum doido varrido me pagar muito bem pago para eu visitar a America do Norte, eu iria só para conhecer Oklahoma.

A Broadway me fascina por seus musicais belíssimos. Me encantaria até as lagrimas com aqueles musicais maravilhosos, mas o que eu queria mesmo era andar por Oklahoma. Pelos desertos, pela sua historia de pistoleiros, dos assaltantes de bancos: Pela bandidagem!

Lí muitas historias em quadrinhos, deve ser por isso!

Nascí para ser bandido, mas a vida foi me consertando. Gostava de Billy the Kidd e do jesse James.
Se eu tivesse nascido em Oklahoma naquela época, eu teria o meu bando.

Adorava os tiroteios, mas o diabo era ter que atirar em alguem. Sempre foi um grande dilema tirar uma vida para roubar. Se fôsse um duelo, um acêrto de contas dos bons, aí sim, o meu colt teria que funcionar.

A minha mão é pesada. Nem gosto de segurar em arma de fôgo. Tenho medo de disparar na minha imaginação!

Existem imagens vivas na minha memória que eu gostaria de transferir para Oklahoma, a da minha imaginação, e ajustar: Faria bem ao meu coração. Um bom ajuste de contas, lava a alma e refresca o espirito.
Mas teria que ser em Oklahoma, na minha imaginação. A da minha infancia, com o meu colt 45, ou com o meu punhal Veneziano!

Aprecio mais o punhal. Se vê o sangue correr, o olhar selvagem: O desespero e a dor.
O punhal é mais dolorido: Eu preciso de muita dor!

Não era por falta de amor, este sentimento excedia na minha infancia. Nunca ninguem foi tão amado. È que eu tinha muita fúria, e precisava ser domado cautelosamente pela vida.

A minha sorte, é que ao invéz de ser domado pela vida, a vida foi me seduzindo, me encantando. Me dava um jesse James, mas me presenteava com um poema de cecilia Meireles.
Mostrava-me o Billy The Kidd, mas me compensava com a mitologia Grega. E que compensação!

Fui me acostumando com a poesia e a boa literatura: As mil e uma noites, Branca de Neve, Robson Cruzoé, as Fábulas de La Fontaine, a minha igreja querida com o seu coral e os seus cantos Gregorianos, e as procissões magníficas, e os vèus e as velas perfumadas.

Continuava a gostar dos tiroteios no cinema de domingo, mas estava apreciando de verdade, era o "laudate dominum e o Agnus Dei".

E aqueles tiroteios foram saindo de dentro de mim!

Mas é dificil acabar com a fúria. Ela muda de lugar!

A não ser que seja metamorfoseada, em que? Em uma fúria saudavel, de belos ideais!

Não sei como esta operação foi efetuada no meu espirito: Aconteceu a bondade das pessoas que a gente mal vê, pouco ama; o respeito das criaturas crédulas que nos indicam um mundo a ser melhorado, e a fé que sempre adocica os nossos corações.

Continuo furioso! Furioso por um mundo melhor, furioso pela beleza, pela fraternidade entre os homens.
Tenho fúria pela felicidade e vou viver furioso para ter mais vida, e viver ancantado com tanta vida!

Mas Oklahoma às vezes vem me incomodar: Seus tiroteios e enforcamentos. Sua lei implacável!
O ajuste de contas é determinado, ele pode tardar, mas não falha!

Existe tanta vida nova para se construir, tanto sonho para ser sonhado, e tanta fúria para ser dissipada, e será dissipada se surgirem sentimentos nobres e homens elegantes de espirito.

Teremos uma fúria construtiva, em um lugar furiosamente belo, e que so precisa se enfurecer pelo trabalho e pela felicidade!.



         "Dedicado ao ultimo grande homem"



Jose Balbino de Oliveira
Enviado por Jose Balbino de Oliveira em 15/02/2007
Código do texto: T382101


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Sobre o autor
Jose Balbino de Oliveira
Vitória - Espírito Santo - Brasil
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