Labirinto.

Labirinto

A monotonia tornava os dias longos, irritadiços. Detestava a rotina

que a estressava.Queria ver-se livre, sentir-se livre.

Se fosse jovem e não tivesse criado vínculos certamente colocaria umas

roupas na mochila e sairia por aí ao encontro do inusitado. Agora era

tarde demais. Muito tarde. A energia já não era a mesma, os sonhos se

desfizeram com o tempo e da janela contemplava a noite que ,aos

poucos, ia se transformando em dia.

Buscou explicação para aqueles questionamentos e elas não vieram e um

turbilhão de sensações a pegara enquanto ouvia musica.

Onde fora parar seu espírito aventureiro? Onde fora parar a sua

vitalidade? Quando sentira que morrera um pouco? Quando deixara que a

vida seguisse sozinha e a deixasse para trás?

Seriam, estes, questionamentos próprios do final de ano? Estaria ela

no que chamam inferno zodiacal?

Desencontrada e com cobranças que ao longo da vida permitira sentia-se

como num labirinto.

E o alto astral tão peculiar á sua personalidade, onde se escondera?

O sorriso largo que conquistava e contagiava onde fora parar?

Crise de idade, existencial ou sintomas de alguma doença?

Seja lá o que for, ela não estava 100% legal. Tomara decisões que diz

ter pensado bem. Enganou-se. Carrega a solidão nos olhos disfarçada

pelo sorriso.

Transferiu para os olhos, descansou o coração.

Maria Luzia Santos
Enviado por Maria Luzia Santos em 24/09/2012
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