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Êta vida besta!

          Êta vida besta! O verso do poeta como um vaticínio. As horas feitas de escuros e roedores numa casa vazia. Tudo quase. O mundo girando nas órbitas de uma atomística suicida. O féretro de Deus. Só o Diabo chorava. A tarde caindo num céu de andorinhas sem plano de voo.
          Êta vida besta! O verso final inaugurando ruínas. O riso feito cicatriz: sina. Viver das ausências com saudades do que até nunca foi. Viver nos interstícios para não ter um lugar. A rosa dos ventos perdida do navegante teimoso. Miopia da alma. Tempo é coisa de fumaça analfabeta.
          Êta vida besta! O dia desvestido em pleno inverno. A pele exposta e o eriçar de pelos. A sensação térmica do ártico em plena linha do equador. O silêncio das pedras derretendo e tudo ainda é gelo nos olhos de mármore de Deus. Havia um nada feito de vácuo e um grito parado. Barco de fantasmas assustados sobre as águas do mundo.
Aldo Guerra
Enviado por Aldo Guerra em 30/09/2012
Código do texto: T3909038
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Aldo Guerra
Rio das Ostras - Rio de Janeiro - Brasil, 64 anos
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Aldo Guerra