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      Após mais uma noite em claro, desta vez, com terríveis contrações físicas, inconformado com a dureza inconsequente de toda esta aridez, que nubla nossos dias, lavei a casa toda. Quase toda a roupa. Fiz a barba, tomei banho e me pus à disposição do infinito. Não quero parecer insensato, nem ser daquele time horrendo: “faça o que digo, mas não o que faço”. Exijo coerência em minha trajetória. Pago o preço que for, para ser honesto com meu travesseiro.
         Quem já abriu mão de tanto, já trocou tantas vezes de pele... Quem conseguiu reencarnar em vida, não pode vacilar no final da subida. Justamente, onde terei a chance de provar publicamente todas as minhas românticas teorias.
Mas, também, não me seria possível seguir com sapos entalados na garganta, com espinhos gigantescos no peito...
Detesto, abomino todo e qualquer sofrimento. Todos já o sabem. Não só para mim, mas, principalmente, para os irmãos. Até porque, a maioria, infelizmente, não tem a menor noção de coisa alguma, vinda da imensidão.
         Foi mais um daqueles momentos em que pareço  canalizar toda a dor do planeta, liquefazendo-a em lágrimas barulhentas. Aquelas que chacoalham o corpo em soluços solitários. O corpo enfraqueceu. Visivelmente se abateu, mas aquiesceu. Agora, preciso de um tempinho para me recompor. Coisa pouca. Recuso-me a permanecer na mansão escura da desilusão.
          Sou do time oposto. Sou agente condecorado da alegria. Mas, preciso manter autêntica, verdadeira, minha folia. Isto não seria possível, se não desabafasse, se não me deslocasse da casa confortável do esperado. Aceito quaaase tudo que me acontece. Se me revolto, quando me revolto, é baseado em dados concretos, inutilmente indigestos.
         Enfim, tudo para um voo bem mais alto, mais abrangente, que possa oferecer aconchego a mais gente.


O final no link abaixo:

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Claudio Poeta
Enviado por Claudio Poeta em 12/10/2012
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