A maga patológica e a arte de aniversariar

Certa vez disseram para a menina que seu aniversário coincidia com a época das duas grandes festas – Natal e Ano Novo, por isso ela não ganhava presente. A maga-menina se pôs a pensar em como inverter esta situação. Primeiro espalhou que era do mesmo signo astrológico de Jesus, portanto merecia festa também. Até porque para ela bastava um bolinho sem enfeites (só mais tarde passou a gostar de glacê e de tortas enfeitadas). Invocou ainda que era do mesmo dia de nascimento do Rei do rock. Não funcionou! Possivelmente viram a maga como uma pequena herege.

Com o refinamento dos anos, a maga passou a espalhar sobre a importância de fazer aniversário no mesmo dia da semana em que recai o Natal e o Ano Novo, apenas com uma semana de diferença a terceira grande festa seria a sua. O que no início era comemoração única gerou dividendo. Passou-se a comemorar o seu dia por pelo menos oito vezes e, como se fosse uma mania obsessiva, cada vez com a presença de oito convivas. Até ontem...

Antes, deixem-me contar dos presentes recebidos. Há muito que a maga abriu mão das promessas logo esquecidas de ano novo. Escolhe promessinhas, como a de não pegar panfletos na rua, que cumpre rigorosamente há três anos... Excepcionalmente, neste ano de 2013, para dar sorte, após revalidar a promessa anterior prometeu não consumir bebida alcoólica. Nada relacionado à lei seca ou ao juramento: “Nunca mais...”. Não, isto não! Promessa modesta, válida para o mês de janeiro e, se cumprida, prorrogável por mais um mês, pois só o grande Poeta é de ferro!

Certamente que o melhor presente será sempre, sempre o carinho dos amigos, presenciais ou virtuais! Aberto o primeiro presente, revelou-se um jogo de taças de vinho tinto... O próximo, duas taças para cerveja e a advertência: “- Agora não tem mais desculpa para não nos servir nada quando formos te visitar!”. – Elvis!! Que desafios a vida traz?!

Enquanto a turma dividia com afinco a segunda pizza surgiu uma penetra! Cadeiras foram movidas, mesas trocadas de lugar, garçons foram convocados às pressas, mulheres com gritinhos parecidos com o burburinho dos fãs quando avistam um ídolo. Um forrobodó sem igual quando a descobriram sob a mesa na maior inocência saboreando, quem sabe, a sobra de uma deliciosa “marguerita”... A preferida da maga, que insensibilizada pelo mulherio subindo nas cadeiras (depois de verificar que a fera havia sido domada), candidamente, batizou a baratinha de Dona Judite!