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AS LETRAS DOCES FUGIRAM

A mentira vicia. Parece mentira, mas não é. Uma semente é plantada na alma ou no coração ou na mente de quem mente e então, se mente cada vez mais. Até para encobrir uma mentira, outras são criadas e maquiadas e sempre, sem exceção, causam estrago. Não existe essa história de mentira limpa. É tudo mentira!

A vida é tão complicada (mentira! não é não!) e ainda existe a mentira para complicar um pouco mais. E a mentira quer se tornar verdade, então nasce, cresce e não dá sinais de que morre sozinha. Quando a mentira aparece para ocultar ou evitar a dor a intenção é proteger, mas não protege. Só desprepara e desarma. Tira a chance de vermos onde estão nossos limites. Diminui o auto-respeito e o nosso respeito pelo mentiroso. A mentira tira a capacidade de avaliar a situação e não nos dá a mínima opção. E, infelizmente, quando pegamos a mentira pelo rabo, perdemos o que nos resta de bom no coração. É simplesmente triste...

A mentira é a principal causa da morte da diversão, além é claro, de deixar um gosto ruim na boca. Ela chega e as pessoas se afastam.

Com a mentira livre da coleira, a vingança abre um olho. Observa de cima todo o terreno e se certifica de que é seguro entrar em ação. Manipula palavras. Monitora ações conscientes enquanto o resultado (ilusório) é calculado pelo inconsciente. Sorrateira ou alardeada, a vingança toma forma e aí já é tarde demais para voltar atrás porque ela trás um fardo que incluir mais algumas mentiras.

O sabor da vingança (apreciada fria ou não) é doce, mas vai ficando amargo quando começa a digestão. Ela faz a dor passar, mas cria outra ainda mais forte, difícil de lidar. Ela não trás alívio e, na maioria das vezes, é ridícula, sem sentido até. É patética... Mostra o quanto somos humanos e suscetíveis aos mesmos erros de sempre.

Se a mentira causa a morte da auto estima, a vingança a ressuscita com aparelhos, mas é apenas um paliativo. Ela trás euforia e um sentimento de poder para logo em seguida deixar a vida completamente sem graça. A vingança nos faz adoecer.

E o ser humano segue assim, compulsivo e destrutivo, entregue à mentira e a conseqüente vingança. A mentira, que tira do caminho o desentendimento eminente e a vingança que vem logo atrás, plantam uma flor de cheiro ruim bem no meio da sala e deixam a gente vivendo pela metade.


"When a man lies, he murders some part of the world
These are the pale deaths which men miscall their lives
All this I cannot bear to witness any longer
Cannot the kingdom of salvation take me home?"
(Cliff Burton)
Rafael Zanette
Enviado por Rafael Zanette em 09/08/2005
Código do texto: T41447


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Sobre o autor
Rafael Zanette
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil
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Rafael Zanette