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O Maestro Pedro Salgado

 
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O  seu Pedro vinha da casa dos fundos, por entre duas cercas, até chegar ao portão. Depois, segurando uma pasta debaixo do braço, abria a tramela. E lá ia ele, rua abaixo, ligeiramente corcunda, cumprir suas tarefas do dia. Eu, muito criança, acompanhava sua cabecinha branca até ela desaparecer na curva. Diziam que dava aulas de música. Isso era bom, era bonito. Depois fiquei sabendo que ele era maestro e até compositor. Fazia parte da paisagem da minha rua, da minha meninice.
Não sei  se é conversa fiada, mas corria uma história interessante sobre ele. Diziam que tinha sido ele o compositor da música do quarto centenário de São Paulo. Dizem que deixou a partitura lá, para ser avaliada, e depois ela apareceu com outra autoria. Vai saber...São histórias.
Com partitura ou não, o seu Pedro Salgado era uma figura agradável, doce, sem malícia, sem arrogância. Cumpria todos os dias o seu ritual. Poderia ter sido uma pessoa importante, conhecida. Importante eu sei que ele era, mas ninguém contou para o resto da cidade. Se fosse hoje em dia, eu botava o maestro no Youtube e você ia ver o que é sucesso!
Para nós, lá da Rua Dona Rosina, em Perus, ele era o homem mais sabido, mais imprescindível, e olha que nós nem sabíamos direito tudo que ele fazia.
A minha amiga Irene, que morava do outro lado da rua, me contou que ele ensaiava a bandinha ali mesmo, na frente da casinha que alugava de seu pai. E eles usavam umas vestes coloridas, bonitas, que a encantavam.
Morreu pobre e quase ninguém foi a seu enterro, em 1973, no Cemitério Dom Bosco, em Perus.
Mas eu tenho certeza de que agora ele está lá em cima, regendo uma bandinha de anjos, com sua batuta e seu cabelinho branco, brilhando, brilhando. Que saudades da minha rua, que saudades do maestro Pedro Salgado!

 
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Pesquisa sobre Pedro Salgado feita por Irene Duarte Fernandes:

 
Pedro Salgado nasceu em Arrozal do Piraí no estado do Rio de Janeiro em 1890.
Com um ano e meio ficou orfão de pai.
Em 1892 a mãe com dificuldades financeiras foi morar em Taubaté.
Em 1896,mudou para Aparecida do Norte onde a mãe D. Augusta lavava roupa para fora e os paramentos da igreija.
Em Aparecida com 6 anos encontrou um rico ambiente musical e passou a frequentar as bandas da cidade pedindo para carregar os instrumentos musicais.
Em 1900 liderou um grupo de meninos formando um banda de música, soprano instrumentos feitos de talos de mamoeiro e batendo tampas de caçarolas e panelas.
Com 15 anos passou a integrar a Corporação Musical de Aparecida seu instrumento era o trombone.
Com 3 meses de aprendisado apresentou o dobrado de sua autoria ESTRELA DO NORTE.
Do trombone passou ao pistom, bombadino e outros instrumentos de sopro.
Em 1915 formou com outros musicos a  Corporação   Musical de São Benedito, tinha muitas musicas de encomenda.
Trabalhava com gráfico em Aparecida e varava a noite estudando e compondo.
Segundo relatos compunha uma valsa em 4 minutos e um dobrado em 3 horas, era considerado REI DOS DOBRADOS.
Tem 1126 musicas catalogadas.
Chega S.Paulo em 1944, foi morar numa modesta casa onde ganhava a vida tocando trombone em um circo.
Em 1946 torna-se funcionário publico na Secretária de Segurança Publica do Estado de São Paulo.
Na ordem dos Musicos do Brasil ingressou em 1961,recebendo a carteira numero 1280.
Foi morar na casinha em Perus mais ou menos a partir de 1954.
Em 22 de dezembro de 1965, recebe a terceira batuta de prata da musica brasileira. As anteriores foram presenteadas a Carlos Gomes e Heitor de Villa Lobos.
Em 15 de novembro  de1971, recebeu o diploma de Honra ao Mérito do Conselho Estadual da Cultura.
Faleceu em 1973 e está enterrado no Cemitério Dom Bosco no bairro de Perus.
 

 
Flávio Cruz
Enviado por Flávio Cruz em 24/02/2013
Código do texto: T4157827
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Flávio Cruz
Orlando - Florida - Estados Unidos, 72 anos
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Flávio Cruz

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