MANHÃ DE TODOS OS DIAS

No pedalar da bicicleta, geralmente cargueira, meio de transporte dos mais usuais na cidade, carro muito raramente via-se passar, estava aquele que transportava no cesto bem assado, o sagrado da última ceia, que na cadeia de produção compreendia: farinha sovada, do trigo moído, que fora colhido e transportado, não era comum sair-se de casa para ir às padarias. E estas ainda não exibiam as variedades de iguarias, que faz com que a gente compre mais que o pão.

E a voz que na manhã de todos os dias nos dizia: - Padeiro: olha o pão! Massa fina ou massa grossa, doce ou de sal, pois era na simplicidade que se classificava. Continuamente essa melodia se confundia na sinfonia do galo da madrugada, que insistia em seu canto até o alvorecer do novo dia. Era oferta na rua e canto no quintal. Venda a vista ou entrega para receber depois, porque em algumas casas o pagamento era feito semanalmente, na economia local informal para muitos também o pagamento era semanal, e assim o vendedor mantinha sua freguesia certa, para o convencional café da manhã: pão com manteiga e café com leite.

Também o leite, não beneficiado seguia com o mesmo ritual do pão, em tambores apropriados, muitos litros ali comportavam “pro misturado” não se denominava pingado, no recipiente utilizado para a venda direta ou para a entrega nas portas de cada moradia fosse humilde, fosse nobre da cidade que crescia, com a sua desigualdade. A leiteira de medição estabelecia a quantia certa, e o vendedor, quase sempre com feições de alegria, dizia: - ao gosto do freguês! Comumente era coado e fervido para extrair as impurezas quando da ordenha em fazendas da própria região. Além da consistência a quantidade de nata revelava se era puro ou com água.

Quando o sol aparecia surgia o vendedor do peixe nos cambões, o tamanho e a quantidade definiam o preço, das espécies mais variadas, assim partes das refeições eram vendidas de porta em porta das casas. E pelas calçadas da rua não estava o morador, mas transitava o trabalhador/vendedor. Os projetos para aceleração da migração estavam na fase embrionária na região da cidade.

Taina
Enviado por Taina em 05/03/2013
Reeditado em 07/03/2014
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