Mulheres, estas Megeras


A mulher era terrível...
Orgulhosa de seus olhos verdes amarelados e de seu cabelo “louro natural”, atacava-o com a origem da família que tinha muitas posses.
Vinha de família estruturada e teve de tudo na vida anterior. Marido abastado, carros luxuosos, viagens magníficas em cidades e praias indescritíveis..
Assim ela acreditava, assim ela queria ser vista.
Quando o primeiro marido morreu, partiu em busca de outro que ocupasse seu lugar e cumprisse com o papel não só nas contas mensais mas também na posição social que ela merecia.
O alvo da vez tinha proporções internacionais e uma vez decidida, ela anunciou aos quatro ventos, que havia encontrado um homem à altura.
Pobre coitado. Em pouco tempo ele não se mostrou nem à altura e nem capaz de prover os dias de glamour que ela ansiava e trombeteava.
Ele padeceu.
Mirrado, murcho, castrado, passou a ouvir todos os dias sobre suas deficiências e sobre a “sorte” que ele tinha por estar com mulher de tamanho valor, coisa de outra classe social.
Os dias seguiram tenebrosos. O amargor que ela destilava só perdia para a anulação que ele alimentava.


Ela era uma mulher de personalidade...
Falava o que queria, da forma que queria e jamais voltava atrás.
Não dependia de ninguém e não se incomodava com nada. Queria mesmo era se divertir e tinha uma paixão insana por carros grandes e velozes.
Bastava ver um carrão esportivo e lá estava ela, celular na mão a fotografar as rodas, a pintura, o dono.
Ele, observava tudo calado. Não se importava com os rompantes dela. Não se incomodava quando ela falava que ele era indeciso, fraco ou sem opinião. Ouvia tudo calado e quando ela o acusava por todas os infortúnios e chateações da vida dela, pensava no próximo presente e no valor que ainda poderia dispor do cheque especial para agradá-la.


A bruxa tinha um nome e era o dela...
Ardilosa, ferina, rude e potencialmente destrutiva, tornou a vida dele um inferno.
Cheia de graduações, ela esbanjava conhecimento e amigos bem relacionados. Em casa gritava e se impunha em todos os cômodos: “Manter a casa é coisa de homem, ponto final!”
Ele acreditou nisto muito cedo. Se desdobrou em cursos, estudos de vinho à etiqueta e em breve, suava a camisa sete dias por semana para manter o posto de provedor.
Ela enquanto isto, comprava o carro que queria, as jóias que sonhava, tudo à vista, tudo com o próprio dinheiro ganhado no consultório de supérfluos.
Ele demorou para sucumbir. Na saída, deixou tudo, até a dignidade.


Ele não a aguentava mais...
Que mulher chata!
Trabalhava de manhã até à noite e não tinha tempo para ele.
Nas horas de folga, era um tal de ajeitar a casa, ver o que faltava na despensa, ir rezar para os santos de todos os dias.
Ele?
Largado. Deixado de lado por ela que sempre chegava cansada, que só falava em contas, que só se preocupava se o tapete estava limpo, se a comida estava quente, a roupa... bem lavada.
Sexo? Ela não queria. Não tinha disposição. Deitava e dormia e ele sempre frustrado, sempre irritado, se sentia cheio de razão.
Passava os domingos com a cerveja e o controle da TV na mão e não aguentava aquele barulho tudo de máquina de lavar, de secar, de aspirador.
Queria sossego, queria uma vida mais calma. Alguém mais alegre, mais viva, mais cheia de energia para aproveitar as coisas da vida.
Um cansou daquele vida horrorosa. Mudou de carro, de cabelo, de casa.
Estava livre da megera que nem notava que ele existia.


Estas são histórias reais.
Relacionamentos que chegaram ao fim com versões masculinas do que estava errado e de como a parceira era vista.
Obviamente há outra versão e ela não é mais bonita do que a contada pelos homens.
Eu escuto estas falas e fico pensando...
Será que ele/ela realmente sabia como era visto?
E se soubesse, teria feito algo para mudar e salvar o casamento?
Será que vale a pena (ou vale alguma coisa) insistir em relações assim?

Enfim, quando não há mais respeito e amor (ou quando nunca houve), até carinho sincero passa a ser visto como agressão.





 

Edeni Mendes da Rocha
Enviado por Edeni Mendes da Rocha em 05/04/2013
Reeditado em 05/04/2013
Código do texto: T4225259
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