Saudosismo, trema e um eu-lírico neologista

Houve um tempo que o não-uso do trema significaria a perda de pontos na escola. Hoje é “cafonice”, sinal de que o escritor “não se adapta às mudanças do nosso tempo”.

Em breve nossos filhos dirão, enquanto observam curiosos os livros que ajudaram em nossa formação (cafona):

_ Papai! Que estranho! O que são esses dois pontinhos que estão em cima do “u”?

_ Chama-se trema, meu filho – responderemos, cheios de saudosismo.

_ Trema? Para que serve isso?

_ Antigamente nós o usávamos para indicar que o som do “u” era pronunciado.

_ Ah... Mas se tem “u” na palavra, por que a gente não ia falar o som dele?

_ Guilherme, meu filho...

Quando este tempo chegar, espero não ter mais arrepios ao ver a nova grafia das palavras. Mesmo algum tempo depois da Reforma Ortográfica, me surpreendo ao verificar que ainda não atingi a autossuficiência (sic? hehe) gramatical. Talvez eu devesse deixar as regras de lado e dar mais espaço ao meu eu-lírico neologista e antiquado. Veremos.