A MINHA BUSCA DA PAZ E DA VERDADE

Quando foi chegando à adolescência aquele garoto tímido foi tendo um incomodo interior sem explicação que norteou a minha vida por alguns pares de anos em busca de explicações ou entendimento.

Esta busca deu o tom para a minha vida.

Tentei terapia, ai já com dezenove anos, mas ai então eu já sabia muito mais do que muitos terapeutas da época e vi que dali não iria sair nenhum coelho, mas antes eu já tinha passado primeiramente pelo candomblé, quando tinha dezesseis anos, mas “um espírito”, que ficava perambulando, era chamado de espírito lavador, pois os seus gestos parecia o de uma pessoa lavando roupa num tanque veio falar comigo.

Ele não falava com ninguém, e por isto a estranheza quando ele se chegou a mim e disse sério e baixinho “você vai apanhar muito se não levar a sério” e eu, claro, nunca mais fui. Eu já estava apanhando bastante, não precisava de mais ajuda.

Quando tinha chegado lá no primeiro dia me dirigi a uma mãe de santo e perguntei: “O que é que eu tenho” e ela “o que é que você tem o que meu filho”, então eu já sabia que o lugar não era ali, não seria tão fácil assim.

Eu gostava do batuque e das cores, era respeitoso, assim como sempre fui, mas aquele cara leu a minha alma.

E ai não parei mais de ler procurando por algo que não sabia o que, nem de ir às seitas que pipocavam naquela época, como a de ficar sentado dentro de uma pirâmide, ler os escritos dos Hare Khrisna, ir nos Meninos de Deus e outras.

Tentei ler a bíblia, respeito, assim como a todas as religiões que vou citar aqui, mas não eram para mim.


Fui no espiritismo e tive a experiência de ver uma mulher na plateia começar a ter convulsões e a babar que me chocou, enquanto lá na frente, na mesa, ficavam diversos espiritas que tinham me dito que eu precisava levar passes para evoluir, mas eu não tinha tempo, pois, com certeza, eu ia ter que ter muitos passes e não dava para esperar.

Na época tinha uma revista que trazia muitas informações das seitas que tinham pelo mundo, que era a Planeta, (o editor era o Paulo Coelho, quem diria), e eu fui lendo tudo que ela indicava ou o que aparecia na minha frente como alguma coisa da Rosa Cruz , da Fé Bahá’i, enfim todas as linhas do oriente e do Ocidente.

Eu ia lendo estes escritos, mas quando via que não batia alguma coisa seguia em frente, era como se eu não tivesse tempo e na verdade não tinha mesmo.

Era década de setenta então pintou a canabis, mas ela me deixava sem chão e agravava o tal do meu problema, experimentei alguns alucinógenos, mas tive um efeito invertido, em uma das três vezes que tomei, que achei  melhor não arriscar mais, e também passou esta fase, e mais tarde vi que muitos se perderem por terem continuado..

Drogas pesadas, que na época eram injetáveis (hoje não necessariamente), iam contra o meu instinto de autopreservação.

Quem entra nessas está algemando a alma e jogando a chave fora.

Li Carlos Castaneda, mítico na época, Carl Sagam,  o astronomo acima do seu tempo, o Bhagavad-Gita, e outros escritos daquela época de Contra cultura, sociedades alternativas e outras, mas o filosofo que mais me arrebatou naquele período foi Krishnamurti, que no final de um livro dele eu escrevi: “Se Krishnamurt pensa como eu e eu penso como Krishnamurt pensa, eu sou Krishnamurt e Krishnamurt é eu”, coisa de bicho grilo.

Com ele tive a confirmação que eu estava certo no meu pensamento, mas que o caminho ainda tinha que ser descoberto; eu só pensava na linha dele, mas com certeza ele era estratosfericamente zen e eu estratosfericamente  complicado.

Ai chegou novo período cinzento, já sem opções fui pedir socorro na terapia novamente, numa nova linha, mas sem chance, ela também não tinha as respostas, e ai,  já com os dezenove anos, me lembro que ao sair de uma dessas sessões em grupo, onde eu e outro cara ficavamos nos digladiando e os outros coitados só ouvindo, entrei numa igreja que estava aberta e totalmente vazia, e silenciosamente tentei fazer uma oração, mas senti que não tinha a força suficiente para fazer brotar uma oração profunda, assim senti, e sai em desalento

Então fui para a faculdade, fiz o vestibular para Filosofia, fui ver o que os filósofos tinham a dizer, mas não tinham muito, eles tinham mais questionamentos que respostas, como eu, e o curso não era como eu esperava, as aulas eram como a de qualquer outro curso, sem debates, sem trocar ideias, mas valeu, fiquei dois períodos e conheci alguns outros malucos.

Mas numa destas aulas questionei de onde o homem poderia saber quantos anos o Sol tinha, zilhões de anos, com os parcos conhecimentos que se tinha naquela época, mas o professor não me convenceu e eu ofusquei  a aula dele, mas nunca imaginaria que aquele debate iria me levar à verdade que eu tanto procurava.

Um dia lendo um exemplar domingueiro de um jornal li um artigo com o título: “O Sol morre” e lendo-o vi que ele era mais lógico do que as explicações tidas lá naquela aula.

E para a minha surpresa o escritório da entidade filosófica ficava na parte comercial do mesmo prédio onde eu morava. Estava ali do lado e eu indo tão longe....

Fui lá, cabelo comprido, roupa surrada, e perguntei se podia fumar, mas como não tinha cinzeiro no local e o rapaz saiu em busca de algo que pudesse servir abandonei a ideia, mas cheio de questionamentos continuamos a conversar e o atendente me falou que a base da instituição era a Mensagem do Graal “Na Luz da Verdade” do filosofo alemão Abdruschin que eu nunca tinha ouvido falar.

Procurei em todo o Oriente e fui encontrar em escritos da Alemanha, nunca imaginaria.

Mas eu falei que naquele momento não tinha dinheiro para comprá-la e o atendente  gentilmente disse que poderia emprestar a dele e que no dia seguinte poderia deixá-la no meu apartamento.

No dia seguinte fiquei aguardando-o sentado na escada do meu andar, e ele na hora marcado me trouxe.

Comecei a lê-la e no inicio a achei estranha, pois o autor não amenizava nas palavra e o achei áspero,
parecendo arrogante até, de inicio, e lembro que tive impulso de jogar o livro pela janela de tanto que mexeu comigo, mas felizmente o livro não era meu, e na continuação da leitura aquelas palavras foram se harmonizando com a minha alma, e quando vi já tinha lido o volume inteiro (são três) em poucas horas, e fiquei louco para que passasse a semana para ir lá pegar o segundo volume.

Estava com dezenove anos, tinha encontrado uma filosofia que me satisfazia intelectualmente, trazia respostas para os meus questionamentos espirituais, e além de tudo a leitura apaziguava o meu íntimo, tão inquieto.

Cortei o meu cabelo, parei de fumar, meus amigos de até então se mandaram, e eu comecei uma nova vida, com muito por fazer pela frente, mas tinha conhecido um filosofo que me arrebatou com a sua Mensagem e que me mostrou o caminho para eu desatar todos os meus nós.

Meus muitos nós, por isto o tempo era curto, e estou até hoje lendo-o e sempre com muito ainda a aprender.

Nada é fácil para quem ainda está neste plano terreno, nesta época crucial da nossa existência, e não só desta curta vida, que só trás todo o ranço do nosso passado e os nós, feitos em tantas outras.

O homem saiu em desalinho na sua trajetória milenar e por isto muitos hoje já não conseguem entender como é que pode acontecer tantas inexplicáveis injustiças, e de como acreditar em um Deus que permita tantas atrocidades e sofrimentos que vemos no dia a dia.

Mas como disse o maior de todos os cientistas “Deus não joga dados” e se queres entender a tua vida, e a vida em sí, e a perfeição de teu Deus, não fique olhando só para a tua infância, teus pais não tem muito a ver com isso, ou tem, mas foram as tuas atuações passadas que te levaram ao teu atual ambiente familiar, aos teus sofrimentos e às tuas alegrias.

Tudo na natureza é perfeito e mostra a perfeição do nosso Criador, e não seria só na nossa vida, na dos seres humanos, que isto seria diferente. “O que semeias, colherás.”


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"Não é o lugar em que nos encontramos nem as exterioridades que tornam as pessoas felizes; a felicidade provém do íntimo, daquilo que o ser humano sente dentro de si mesmo' Roselis von Sass – www.graal.org.br