Desventuras no mar

Uma flor ainda úmida pelo orvalho, muito querida pelos seus. Menina bela, educada, cheia de sonhos, como poucos de sua idade. Desconhecia o rugido do mar. Ora leve, ora mais agressivo. O vento que sopra nossos cabelos e que vem montado nas altas marés.

Conhecer o mar, a praia era um sonho que parecia impossível. Relatou a seus pais esse desejo imensurável. Papai não queria concordar com a jovem adolescente, porém ela se mostrou tão amorosa e tão jeitosa no seu pedir, que mais parecia uma súplica. Então, ele cedeu à sua vontade.

Mamãe a acompanhou nessa aventura.

Após muito brincar nas areias e nas ondas mansas, ela sentou-se nas pedras. Fitava dali o mar com encantamento e olhar infinito. Nem sequer acreditava que estava ali juntinho dele - o mar. Estava superlativamente feliz. Já poderia dizer : ” Conheço Copacabana!” Pensava nos amigos de sua cidade interiorana, ou o que diria a eles sobre este passeio. Era um momento invejável para ela.

Inesperadamente, surgiu uma onda maior. Ao ver a jovem que ali se encontrava, ficou extasiada com tanta beleza. Pensou mesmo que fosse uma sereia a exibir ali seus encantos, naquela pedra. Lançou-se com furor sobre a desprotegida, frágil e indefesa admiradora do mar .

A mãe e os amigos, agora choram. Não puderam dar o último adeus, o último abraço, o último sorriso não aconteceu.

A maré não trouxe de volta o corpo que a seduziu, nem mesmo notícias ...

Lindalva
Enviado por Lindalva em 13/02/2014
Código do texto: T4689808
Classificação de conteúdo: seguro