Não Vou Falar das Mães
 
Tudo é incerto neste mundo hediondo,
mas não o amor de uma mãe.
James Joyce


Ah! Não! Não vou falar das mães. Não vou mesmo!
Lembrar que elas carregam aquelas barrigonas por meses e, neste período, aturam enjôos e dores várias, abrem mão de pequenos prazeres como o cigarro, o álcool e, em alguns casos, até o sexo, apenas para garantir a saúde do bebê, sem se lamentar, a não ser quando não podem pegar no colo o pimpolhinho mais velho?
Sim, sim! São admiráveis. Mas, hoje, não vou falar delas.
Falar o quê? Falar das noites insones, velando tosses, febres, farras? Falar da capacidade de tirar da boca o alimento para que não o falte ao seu rebento? Falar das lágrimas diante da primeira palavra, primeiro passo, dia de aula, primeiro beijo? Falar do orgulho pelo sucesso, do apoio no fracasso, do suporte suave durante toda a caminhada?
Não falo e pronto! Falar o quê? Que não importa o passar do tempo, não importam os cabelos brancos a nos cobrir a cabeça, seremos para elas sempre as mais doces promessas de felicidade?
Não, não... Nada de falar de mãe. Nada de falar da minha mãe, do amor e gratidão que sinto por ela, do quanto ela foi e é importante em minha vida! Nem tampouco falar que rezo todo dia para que Deus a abençoe e cuide dela com carinho. Falar que ela está sempre pronta a dar um consolo, um conselho, um dinheirinho? Falar das dicas de remédios? Das receitas caseiras que não há chef de restaurante chique que supere? Falar que ela, apesar de miudinha e pouco estudada, nos levou todos aos bancos das universidades? Falar da garra dela em nos defender? Ou do quanto ela é rigorosa e firme para garantir que filhos e netos trilhem a estrada da retidão e do bem?
Não falo!
Poderia falar dos pais, homens que, por motivos vários, assumem esta missão tão feminina e o fazem tão divinamente... Mas, não adianta pedirem. Não vou falar.
Falar das mães de bichos que transferem para seus animaizinhos de estimação todo o amor que um filho legítimo mereceria? Não adianta pedir!! Não falo!
Dar parabéns!? Quem sou eu para parabenizar tão sublimes criaturas? Melhor nem falar nada! Falar o quê? Não falo!
Mas, que elas podiam ser eternas, bem que podiam!!


 
Texto publicado no jornal Alô Brasília em 10/05/2013