Enfim, Verde e Amarelo!

Não sei se vai ter copa, mas, timidamente, o País se pinta de verde e amarelo. Eu até me tingiria também, se a festa fosse no vizinho.
 
 

A Globo, o Governo, os patrocinadores e a FIFA têm se esforçado muito para colocar um pouquinho de patriotismo nessa gente carrancuda que franze o nariz para a Copa no Brasil.

Diante dos heróis de um hipotético hexa que nos distinguirá ainda mais do resto do mundo, que importância têm todos os gastos (e roubos) que essa decisão gerou, enquanto áreas vitais como saúde, educação e segurança seguem carentes de recursos? Será que essa gente não entende que a prioridade agora é outra?

Ora! Dane-se o fato de já sermos destaque em número de assassinatos ou na má qualidade do ensino secundário. Esses são recordes que não nos orgulham, mas quanto a eles há tanto a se fazer, tanto a investir e os resultados demoram tanto a aparecer...

A Copa, não! Um mês de jogos e se o Brasil for hexa, vamos à loucura e é assim, ainda loucos, que em outubro vamos às urnas! É a glória do poder vigente, reeleição garantida! Que golaço!!

E daí, se o País vai parar nesse período? Vamos ganhar em dólares! Bem... Nem todos vamos ganhar nada com isso. Na verdade, a maioria de nós vai mesmo é pagar mais caro por qualquer coisa que possa vir a ser de interesse dos turistas, já que a lei da oferta e da procura dá ensejo à extorsão. Mas pense no quanto isso renderá em impostos. O que não for sonegado ou extraviado virá direto ao encontro de nossos anseios por maior investimento em serviços públicos essenciais. Isto é, depois de pagar as dívidas que restarem da brincadeira de sediar a festa. Hum, hum! Tem este detalhezinho. Oito cidades-sede aumentaram em 30% seu endividamento com a União ou Bancos Públicos, como o BNDES. Mas, nem se preocupe com isso. Lembre-se que, depois, essas cidades terão estádios padrão FIFA para sediar seus jogos e eventos! Ah! E com trânsito garantido até o aeroporto! Só é bom evitar outros trajetos, já que as obras pela mobilidade não foram tão abrangentes.

E se você trabalha em áreas afetas ao sucesso do evento, pode até se dar bem, como a PF, que conseguiu reajuste pra não fazer greve no período. Mas, se você é professor e não é o Felipão, pode “grevear”!

No Brasil-il-il-il você não tem valor, mais, não.

 
Texto publicado no jornal Alô Brasília de 06/06/2014