E LAURO SE FOI

Choramos a partida do Lauro. Para mim foi mais que um irmão. Os encontros na vida não acontecem por acaso. Dia 10 de junho de 1974, Canoas – RS, Refinaria Alberto Pasqualini, chego eu pela manhã vindo do Recife, para ser admitido na PETROBRAS. Enquanto aguardo que localizem a autorização para minha admissão, encontro um carioca, simpático, conversador, cheio de prosa. Era o Lauro, vindo de Niterói com o mesmo objetivo meu. Assim nos conhecemos. Fomos admitidos no mesmo dia, com as matrículas seqüenciadas. Como a Petrobras só dava hospedagem nos primeiros 10 dias após nossa chegada em Porto Alegre, tratamos de arranjar lugar parar morar. Rapidamente consegui uma família que alugava quartos de 2 apartamentos e 10 dias depois de nossa chegada, estávamos morando no mesmo apartamento da Dona Noemi.

Nós dois, engenheiros estagiários, juntamente com o Eng. Luz, já falecido, começamos a AMRAP – Ampliação da Refinaria Alberto Pasqualini em Canoas.

Saíamos muito, viajávamos pela serra gaúcha, assistimos corrida no Autódromo de Tarumã, jogávamos baralho com outros amigos e assim por diante.

Quando minha esposa perdeu nosso primeiro filho em março 75, lá estava o Lauro, junto nos momentos difíceis.

Um belo dia, quando voltávamos do almoço o nosso chefe, Osmar Cruz Costa, informa para o Lauro, que o seu sogro acabara de se suicidar no centro de Niterói e pela primeira vez o vi sem graça. Ele falou: o que eu vou dizer para a Olga? E viajou de imediato para o Rio, juntamente com sua esposa.

Lauro sempre foi uma figura ímpar. Uma vez íamos no carro dele e sem querer entrou na Free way que liga Porto Alegre à Tramandaí. Quando vi lá estava Lauro dirigindo de ré numa rodovia bastante movimentada.

Passado justamente 1 ano, ele consegue junto ao Superintendente no Rio, o Adolfo Paes de Barros, se transferir de volta para o Rio.

Eu trabalhava em Canoas – RS, mas tinha o desejo de retornar ao nordeste. Um dia Lauro me telefone e informa que o Menezes, seria o chefe adjunto da obra de construção da FAFEN Sergipe e que eu poderia fazer contato com ele para ir trabalhar em Aracaju. Foi o que eu fiz e em pouco tempo, estava sendo transferido para aquela cidade.

Depois ele mudou de empreendimento e depois de 2 anos e meio morando no Sul, fui para Aracaju.

Sempre que eu ia ao Rio, era compromisso obrigatório, almoçar com ele, nos restaurantes próximos ao edifício Sede da Companhia.

O tempo foi passando e depois ele deixou o então SEGEN e foi trabalhar com materiais na área de importação – Serviço de Materiais.

Nossas famílias eram amigas, os meus filhos brincaram com os filhos dele na infância. Vi Gisele e Leandro crescerem. Passamos uma ocasião 10 dias em sua casa em Niterói e depois fomos passar uma semana em São Lourenço em Minas Gerais.

Passaram-se os anos, veio a separação dele da Olga, depois a aposentadoria. Logo depois eu também me aposentei e vim morar no Recife novamente.

Quando voltei à Petrobras como contratado em 2001, trabalhando em SUAPE – PE, me lembrei que Lauro poderia retornar ao trabalho, também como contratado. Fizemos contato e para alegria nosso, em pouco tempo, lá estava o Lauro trabalhando no mesmo Empreendimento que eu – IETR – só que ele na Sede e eu na obra.

Sempre comentávamos que o mundo dá muitas voltas. Começamos juntos como estagiários e estávamos novamente na mesma empresa, mesmo empreendimento, agora na condição de aposentado e contratado.

Numa de suas passagens pelo Recife, fomos visitar a Casa da Cultura, para comprar artesanato, o Alto da Sé de Olinda, onde repentistas disseram que parecíamos deputados e rimos muito disso tudo.

Em junho de 2006, no exato dia em que a seleção brasileira foi derrotada e saiu da Copa, quando chego em casa, minha esposa me dá a triste notícia, que soubera por e-mail através da Vanda que Lauro havia retirado um tumor maligno no cérebro. Foi um choque muito grande para mim. Naquele momento eu antevia tudo o que poderia acontecer. Só não sabia em quanto tempo. Nesse instante, chorei amargamente.

Na minha primeira ida ao Rio, após a cirurgia, fui visitá-lo juntamente com a Josiane, colega nossa de trabalho. Ao chegarmos no quarto onde ele estava, Josiane falou: surprise. Ele simplesmente repediu a palavra e nos olhava profundamente sem poder falar praticamente nada.

Em outra ida, ele já estava melhor, inclusive ele e Vanda me apanharam no Aeroporto e almoçamos juntos na Ilha do Governador. Ele estava com um bom senso de orientação, informando para Vanda determinada rua que deveria entrar para chegar ao Hotel onde me hospedaria.

Na terceira e última vez que o vi foi muito deprimente. Fui ao seu apartamento no Leme e ele já estava sem poder andar, falando pouco, só repetindo trechos de frases e tendo sua mãe também doente, ao seu lado. Eu saí do seu apartamento e chorei intensamente no elevador.

E assim, ontem soubemos ao meio dia pela Vanda que ele estava em fase terminal. Achamos que poderia durar mais uns dias. Mas, que nada. Às 23 horas partia o nosso querido Lauro. Descansou do sofrimento causado pela enfermidade. O câncer venceu a batalha derrotando o seu corpo. Mas o seu espírito, não. Recordamos-nos sempre do Lauro, alegre, brincalhão, gozador, como a grande maioria dos cariocas. Há poucos dias soube que ele iria ser avô, pois a Gisele está grávida. Precisamos contar para os seus netos, quem era o Lauro.

Tive poucos amigos na minha trajetória e LAURO foi um deles. Uma presença marcante na minha vida e da minha família. Ele não esquecia a data do meu aniversário nem a do meu casamento. Eu nem sempre me lembrava do seu aniversário em 13 de dezembro. Nesses 33 anos e 2 meses que nos conhecemos, foi gratificante ter o Lauro como amigo.

Que DEUS possa dar aos familiares e amigos, o conforto pela sua ausência e que o seu espírito possa descansar em paz junto ao Pai eterno.

Recife, 22 de agosto de 2007

Carlos Alfredo S. Melo

Carlos Alfredo Melo
Enviado por Carlos Alfredo Melo em 10/10/2014
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