Ventos da Prima Vera

Ventos da Prima Vera






Por toda a parte se anuncia. Os ventos falam em código. Vermeil e Luiz XV, vermeil símbolo de governos tirânicos e sanguinários, vermeil = peças de prata ornamentais, muitos artesãos ficaram cegos no manuseio, devido ao contato com o mercúrio, Luiz XV as derretia para financiar a luta contra seu próprio povo. Hoje o intrépido decano Hélio Bicudo, fundador do PT, protocolou pedido de impeachment da presidenta. Nos porões da web fala-se de uma primavera latino americana. O fardo está pesado graças aos idiotas tirânicos. Vozes se levantam, se fazem ouvir, nem que seja por 15 segundos, melhor do que nada, a única maneira de preservar a democracia é participar dela. Anônimos tombam a todo instante. Um bardo profere: "Grandes são as almas que na morte entregam uma vida maior ao homem. A morte se constrange diante dos bravos, pois possuem uma vida que ela não pode extinguir." Deslocamentos em série, segundo a segundo. Você não pode brecar, se esconder, fugir, e tentar entender pode tanto ser divertido como tenebroso. Conforme se trabalha com essa energia de transição, ocorre uma alteração natural em múltiplos campos, uma delas, a mudança do homem/mulher humano para o masculino/feminino divino. Os ventos sussurram: Será que alguém tem coragem de perguntar a fulano político - Você não gostaria de ver seu nome nos livros de história sem a palavra corrupção ao lado? Enquanto ninguém responde o vento ruge, como o leão, que não vaga a esmo rugindo levianamente. Eles rugem para estabelecer seu perímetro e sinalizar. Os ventos rugem para chamar reforços. A Prima Vera já balouça na esquina, mais um minutinho e as flores vão se abrir e cada uma delas dirá: Chega de deixar o governo gastar dinheiro por mim. Não quero um governo maior do que podemos pagar. Não quero um governo fazendo coisas que ele não sabe, coisas que a iniciativa privada faz melhor. Ou um governo jogando dinheiro em programas ruins. Infelizmente não é só isso que nos faz perder confiança no governo. Então, hombre, que pasa? Paralisado pela complexidade dos fatos? Em África, nos conflitos internos que esboçam genocídio, mães sudanesas carregam os bebês mortos durante dias, não conseguem se separar deles, não conseguem enterrá-los. Os ventos engataram uma quinta, quem pode freá-los? Um presidente que, antes de ser eleito fizesse um monte de promessas, e ao tomar posse, além de não cumprir nenhuma ainda por cima revertesse o quadro para pior deveria estar desempregado na mesma hora. Os ventos não falam de urnas, colega. Falam em código. Durante muitos meses, aqueles no caminho do auto-desenvolvimento estiveram em um estado cerebral de onda alfa ativa - 8 a 15 Hz. Em geral, ao agir ou falar, acontece o padrão cerebral de onda beta -12 a 35 Hz. Comenta-se que isso significa o acesso à consciência ativa e à conexão meditativa. Seria, como dizer, uma atualização no sistema. Se você escreve ou lê, pinta ou borda, lava ou passa, descasca e ferve, já não consegue negar a existência de um lance mais ligeiro no ar. São os ventos da prima, pedindo pensamentos tais quais interdependência nutridora e autossuficiência sustentadora. Até que um bardo fique alvoraçado e declame: Não estabeleça que isso é felicidade. Não é. É sua angústia controlada. Tenho visto poucos bardos autênticos, talvez sejam as contradições nos diferentes níveis da realidade. Talvez só precise de fé. Fé numa das mãos e remédio para enjoo na outra. Impossível não engulhar com tanta demagogia. Todo o vento passa. O do momento até parece cantarolar um antigo provérbio esquimó: "O melhor lugar para estocar comida é a barriga do próximo". Ora vejam se não seria lícito concluir: na fome é melhor ter amigos do que comida estragada. Os ventos se despedem, lembrando: O que gira, surge.



(Imagem: Joseph Michael Gandy, aquarela, 1822)


 
Bernard Gontier
Enviado por Bernard Gontier em 01/09/2015
Reeditado em 12/07/2020
Código do texto: T5367299
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