Nascendo aos Quarenta e Cinco

Quando era pequena, tinha medo.
Na adolescência, tive medo.
Para a vida adulta, trouxe o medo acumulado da infância e adolescência, acrescido da cautela dos adultos, que também pode ser uma definição de medo extremo, quando a responsabilidade por atos e fatos é inteiramente nossa, e nada pode dar errado.

 
Não tem ninguém lhe observando, nem tão pouco cobrando absolutamente nada, mas a cobrança está ali, no seu íntimo.

Um belo dia você acorda, em diversos sentidos abre verdadeiramente os olhos e se joga, apenas isso, se joga na vida para sentir intensamente o gostinho da brisa da liberdade.

Fácil não é, pois para saltar é preciso subir o mais alto que puder, e lá encima o vento lhe testa o tempo todo, a brisa que era leve e calma sussurra em seus ouvidos todos os seus medos reunidos num único termo:

- COVARDE!

Pensei em minhas filhas, pois ensinei a serem fortes, a abrir trincheiras, a serem independentes, aprendi a ser assim com os livros que li, com as personagens que determinavam o rumo de suas histórias, e antes de pisar no vazio precisei de um surto de coragem, deixei o medo da menina e da adolescente para trás e voei, feito personagem voei para ser feliz e abandonar de vez o medo de arriscar.

Voar é perfeito, difícil é dar um passo a mais, sabendo que a planta do seu pé não terá um apoio sólido.

Crônica da minha primeira descida na tirolesa gravado em vídeo, com direito a narrativa de voo e emoção de quem aos quarenta e cinco do primeiro tempo descobre que ainda existe intervalo, segundo tempo, acréscimos e prorrogação...

Quando o passo a ser dado lhe proporcionar a sensação de voo livre, não exite, salte!


 
Renata Rimet
Enviado por Renata Rimet em 11/10/2015
Reeditado em 11/10/2015
Código do texto: T5411451
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