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A Estação

De onde estou posso enxergar boa parte da cidade, vejo de tudo carros,ônibus,cães,pessoas que vão e vem… e estas sempre me intrigam, como podem ser em um instante tão generosos para logo em seguida tornarem-se mesquinhos e arrogantes a ponto de acharem-se no direito de julgar o comportamento alheio,nada nunca parece estar bom para essa espécie, pois constantemente mostram-se insatisfeitos e desejando algo e isso muitas vezes causa-me incômodo…

No entanto, em alguns momentos a situação se reverte e sinto empatia e até algo semelhante a um sentimento bom, ternura, sei lá como nomear o que despertam em mim, afinal sou apenas um Ser preso ao chão e que não pode mover-se por conta própria… Não caro leitor não sinta pena, cada Ser, cada Criatura é o que é, e faz apenas o que sua natureza lhe permite fazer e ser.

Era por volta das 13:00 céu cinzento,vento forte prenunciando forte chuva,pessoas,horário de forte movimento em frente a estação de trem Celso Daniel- Santo André- local onde já observei incontáveis encontros e desencontros, brigas, discussões vendedores clandestinos de bilhete a 3,50 artistas anônimos, religiosos que querem obrigar os demais a ouvir e seguir sua fé… mas particularmente dois seres despertaram-me o interesse…tratava-se um casal de idosos,não sei precisar a idade mas talvez precisamente devido a isso moviam-se indiferentes a toda a agitação do local…o que faziam afinal? Que gesto transgressor praticavam para prenderem de tal modo a atenção de um Ser imóvel e imutável como eu?

Simplesmente despediam-se um em frente ao outro, mãos enlaçadas, ele com sua boina de tom cinza e ela com sua touca de crochê lilás, beijavam-se, abraçavam-se, olhavam-se… acima de tudo olhavam-se mutuamente, não tratava-se um olhar voraz e mesmo assim possuíam uma intensidade vibrante como os de um adolescente… pessoas passavam e olhavam admirados aquela cena, muitos acreditem julgando inadequados tais comportamentos, afinal tratavam-se de idosos! Mas o tempo não existia para eles naquele instante, eu mesmo prendi a respiração e o trânsito. Buzinas e gritos despertaram-me do meu devaneio, quando os procurei vi que a dama se afastava com seus passinho curtos, enquanto seu cavalheiro a seguia com olhar até perdê-la de vista..
Giliane Moura
Enviado por Giliane Moura em 28/07/2016
Código do texto: T5712316
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Giliane Moura
Santo André - São Paulo - Brasil, 38 anos
20 textos (706 leituras)
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Giliane Moura