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UM AMOR DE VERÃO *

                     


Era uma vez uma menininha simples, como você, que gostava de brincar com as amigas da escola.Se tinha sol, iam á praia. Se chovia, montavam uma casinha no fundo do quintal, colocando fogão, panela e comida de verdade.
Elas faziam a maior festa do mundo, imaginando como seria a vida depois que crescessem e se transformassem em donas de casa.
O seu nome poderia ser Ana, Beatriz, Amélia ou Bianca.Mas era Lurdinha.Então, ela sonhava acordada com suas bonecas mágicas, que muitas vezes pareciam falar.
Era uma vez um menininho simples, como você, que gostava de brincar com a turma da escola.Se fazia sol, nadava no rio.Se chovia, ficava batendo figurinha no fundo do quintal.E era feliz, acreditando que nunca cresceria.O seu nome poderia ser Marcelo, Otávio, Francisco ou Miguel.Mas era Betinho.E o tempo passou, para Lurdinha e Betinho, deixando toda a infância na saudade...Ela esqueceu-se das bonecas, querendo viver emoções diferentes, como as outras meninas da sua idade.Ele não era mais o mesmo, e ficar rodeado de moleques, já não tinha tanta graça...
– Brincar de pega-pega, de cobra-cega, de mãe da rua...Bahhh! Era coisa de criancinha.
Agora gostava de passear na avenida da praia; curtir um som maneiro e paquerar muito.Lurdinha queria um vestido da moda, uma sandália nova e um visual de parar o trânsito!
De repente, numa tarde de domingo, enquanto Betinho contava vantagens para os amigos e Lurdinha desfilava com seu modelito verão, seus olhares se encontraram no calçadão da avenida IPEROIG e o mundo parou naquele instante.
- Isto sim era mulher!
- Aquilo sim era um príncipe!
Lurdinha nem reparou que Betinho tinha espinhas no rosto e Betinho não percebeu que Lurdinha usava aparelho nos dentes...
Foi uma explosão de emoções e com certeza já estavam apaixonados.Ele falava sobre seus planos para o futuro: - queria ser rico e famoso. Mas na verdade não gostava de estudar e assim ficava difícil.
Lurdinha apenas suspirava, desejando ser a esposa perfeita para lhe dar muitos filhos. “Querido Diário, quero encher a minha casa com filhos lindos e saudáveis: Martinha, Michely, Ruan, Cristina ...Até montar um time de futebol”.
Lurdinha sonhava demais, sem perceber que a realidade é outra.Para criar filhos, é preciso fazer um planejamento familiar.Então ela resolveu colocar tudo no papel: gastos com comida, educação, saúde, lazer e muito mais. Quase desmaiou, mudando rapidamente de opinião.
“Querido Diário, ter muitos filhos seria bacana se não fosse a atual realidade em que vivemos, pois é preferível investir mais na qualidade do que na quantidade. Michely, Cristina, Ruan, Martinha...é um exagero.Podemos apenas ter apenas o Maicon .
Só que Betinho nem se ligava nas intenções daquela menina que havia conhecido na semana passada.Em Ubatuba tinha mil gatinhas loucas para lhe conhecer e Lurdinha já fazia parte do passado.Ana, Beatriz, Amélia...todas eram lindas também.
- Ah, Maria! Isto sim é uma mulher de verdade!- suspirava.
Lurdinha não era boba nem nada e logo percebeu que tinha muito tempo pela frente e ter filhos ou não, era assunto para o futuro.E aquela paixão fulminante, deu lugar a uma amizade intensa, porque as pessoas mudam de opinião, de idéias e conceitos, como Lurdinha e Betinho.


                                                                   SILMARA RETTI -



































Silmara Retti
Enviado por Silmara Retti em 21/07/2007
Código do texto: T573984


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Sobre a autora
Silmara Retti
Ubatuba - São Paulo - Brasil, 53 anos
203 textos (14434 leituras)
1 e-livros (73 leituras)
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Silmara Retti