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Kafkanianos


 
 Uma van para em frente á Pinacoteca do Estado, avistam um vendedor de sorvete, três das quatro mulheres correm em sua direção e perguntam o preço e desistem...
− 15,00 um sorvete? O senhor acha que está aonde para cobrar esse preço? Não, muito obrigado, mas não quero. Filha, perto de casa compro pra você − promete à filha adolescente também indignada com o preço do sorvete.
Um pouco afastada, uma outra mulher ouve longe as reclamações sobre o preço abusivo ao mesmo tempo que observa atentamente uma cena que classificou como minimamente bizarra... Uma jovem mulher e seu celular − até aí nada fora do comum − a jovem caminhava olhando e digitando hipnoticamente para a tela, subia as escadas num modo automático − mais um ser adestrado pela tecnologia, pensou a observadora e suspirou... Foi  então que o inesperado aconteceu, a jovem continuava sua troca de passos e num dado  momento a escada que tem uma espécie de patamar, uma parede e, novamente, escada, ou seja, uma estrutura em L, e no momento em que deveria passar pelo L e continuar seu percurso, a jovem deu de cara com a parede da frente, bateu e recuou e segundos depois uma nova investida contra a mesma parede, esse confronto, Criatura/Parede durou uns bons segundos e em nenhum momento o Ser tirou os olhos da tela do celular para ter noção de qual lado seguir, continuou naquela luta contra um inimigo invisível, ela mesma, sua própria mente alienada  e escravizada pelo excessivo uso da tecnologia. Foi quando enfim acertou o lado e subiu rapidamente os degraus que faltavam e misturou-se entre os transeuntes.
Para a Observadora, a Criatura lembrou um inseto envenenado que não sabe para onde ir e fica se batendo contra as paredes e girando em torno de si mesmo, atordoado, pelo jato do inseticida... Nesse instante só uma coisa lhe vem a mente... Kafka. Ele prevera − de certa forma − no que nos transformaríamos... Um novo suspiro... A observadora encheu-se de tristeza e seguiu seu caminho pensando na angústia que tais Criaturas Kafkanianas sofrem no dia a dia...
Giliane Moura
Enviado por Giliane Moura em 18/10/2016
Código do texto: T5795999
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Giliane Moura
Santo André - São Paulo - Brasil, 38 anos
20 textos (706 leituras)
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Giliane Moura