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Um pai de verdade

Este é o primeiro Dia dos Pais que passo sem meu pai. Em fevereiro deste ano, depois de enfrentar quarenta duros dias de doença, ele partiu para a eternidade. Partiu, mas continua comigo, nos exemplos que deixou, nas lições que semeou na minha vida e, principalmente, nesta saudade que aumenta conforme o tempo passa. Eu não esqueço de agradecer todos os dias para o Ser Superior que guia os meus passos neste mundo por ter me dado um pai tão especial. E também por ter permitido que eu saboreasse a presença deste pai ao meu lado por 62 anos de vida.
Eu sei que este tempo foi muito curto, pois o meu pai ainda tinha muito para ensinar. Se dependesse de mim, ficaria muitas e muitas vidas ao meu lado. O meu pai passou a vida inteira fazendo o bem e, tenho certeza, se estivesse vivo, estaria inventando mais e mais jeitos de ajudar as outras pessoas e de fazer os outros mais felizes. Ele era assim: pensava primeiro nos outros, para depois pensar em si.
Foi assim desde criança, quando percorria muitos quilômetros, com os pés descalços, para vender rapadurinhas ou pastéis e, assim, aliviar um pouco a pobreza que rondava o seu lar. Depois, já adolescente, partiu dos cafundós de Gravataí e foi trabalhar como cobrador de ônibus na empresa Mangueirinha, em Porto Alegre. Conseguiu juntar um dinheirinho e, em seguida, trouxe os irmãos e os pais para morar na capital, onde teriam uma vida mais digna do que no interior. Aos poucos, foi ajudando cada um dos irmãos a descobrir os seus próprios caminhos.
Quando nasci, meu pai já era motorista dos ônibus onde começara como cobrador. Depois disso, exerceu várias profissões, entre elas entregador de pães e de leite. Criou a família trabalhando duro, levantando de madrugada, com frio ou calor, enfrentando longas jornadas e ainda encontrando tempo para ajudar as famílias dos irmãos, cunhados e amigos. Seu último trabalho, antes de se aposentar, foi como comerciante. Nunca deixou nenhuma pessoa sair com fome do seu bar e armazém, mesmo sabendo que jamais receberia um tostão pelos cafés e os caprichados sanduíches que distribuía com muito carinho.
Meu Dia dos Pais vai ser uma mistura de alegrias e tristezas. Alegria, porque minha família, meus filhos e netos, estarão ao meu lado, com seus sorrisos e seus abraços. Tristeza porque não vou poder abraçar aquele que foi a pessoa mais importante da minha vida. E é por isso que eu aproveito para dar um pequeno conselho para todos os que ainda podem envolver os seus pais num grande e caloroso abraço: não deixem para depois. Esqueçam mágoas, desavenças, diferenças ou qualquer outro problema passado. Reconheçam que estes pais, perfeitos ou imperfeitos, lhes deram o bem mais valioso que vocês possuem: a vida. E aproveitem cada segundo desta vida para curtir estes pais que Deus lhes deu, pois, garanto, é muito triste não ter um pai para abraçar.

Milton Souza
Enviado por Milton Souza em 08/08/2007
Código do texto: T598431
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Sobre o autor
Milton Souza
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
67 textos (6285 leituras)
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Milton Souza