ALMAS GÊMEAS.

Nesse mês dos namorados, nada mais oportuno do que falar de amor. Aliás, tema de inesgotável interesse em todos os tempos.

O amor aqui, em questão, será colocado de uma forma um pouco mais abrangente, e profunda. Preservando é claro, sua importância fundamental na vida de todos nós, eternos apaixonados.

Gostaria de descrever o amor sob o ponto de vista filosófico.

O que seria na verdade, um encontro de “Almas Gêmeas”? “Alma” vem de “ânima”, aquilo que nos anima, nos movimenta, nos motiva. Segundo o conceito platônico, o homem é composto de três núcleos: SOMA ( parte física e energética ) PSIQUÊ ( parte mental e emocional ) e NOUS ( princípio noético, parte espiritual e imortal, nossa essência).

Para os gregos os dois princípios inferiores: soma e psiquê são máscaras, persona ou personalidade. Segundo Platão, para que o verdadeiro amor aconteça, é preciso união nos três mundos: SOMA – PSIQUÊ – NOUS.

De acordo com as tradições filosóficas, um encontro de almas abrangendo os três “Mundos”, é de extrema raridade e independe do tempo de duração. No entanto, é possível que o amor aconteça de formas diferentes. Por exemplo, pode haver um encontro de pessoas onde haja reciprocidade em apenas um, dos três componentes. No campo material, por exemplo, seria uma aproximação somente física. O chamado, nos tempos modernos, “Amor Líquido”, onde nada dura, onde impera a descartabilidade. Seria uma união apenas no “SOMA”. Nesse plano o amor seria usado apenas para uma satisfação passageira, apenas para o prazer. Existe o uso e logo após, o descarte. Esse seria o “Amor Somático”.

O amor no plano da PSIQUÊ seria o amor que acontece somente pelas afinidades. Procuramos no outro, gostos parecidos com os nossos. Acontece que com o passar do tempo, nossos gostos mudam. Posso não mais gostar, por exemplo, de um prato que gostava no passado. Posso não mais gostar de algum gênero de filme que gostava em outros tempos...e, aí, será que minha “Alma Gêmea” mudaria também, seus gostos para me acompanhar? Muitas vezes, não. Começam então, os desentendimentos, as discussões, os desencontros.

No “Amor Noético”, espiritual, há muito mais profundidade. É quando os corações vibram na mesma intensidade, sonham os mesmos sonhos, possuem os mesmos ideais, se emocionam ao mesmo tempo e por um mesmo motivo. Crescem juntos e rumam à mesma direção, sempre apoiando e vibrando mutuamente com as vitórias ou, choram juntos as mágoas. A união quando acontece nesse plano, não desgasta, não enfraquece, pelo contrário, torna-se cada vez mais forte.

Quando esse encontro acontece nos três planos simultaneamente; físico –psíquico – espiritual, aí, sim, teremos então, o raríssimo e perfeito encontro de “Almas Gêmeas”, fechando o circuito.

Pode ser um único encontro, pode não durar muito tempo, no entanto, será perfeito e segundo os sábios do passado, saberemos identificar quando e se acontecer...Quando ele se dá, e todos os planos são arrumados num perfeito encaixe, fala-se que: “Todos os campos da Natureza Humana vêm participar do Banquete da Alma”.

Boa sorte, aos namorados, aos apaixonados, aos amantes, aos casais...e àqueles que encontram-se sozinhos porém, ainda não perderam a esperança de vivenciar esse encontro mágico do verdadeiro amor.

Elenice Bastos.