CADÊ OS VAGALUMES?

Vocês lembram deles? Os vagalumes?

Na minha infância uma das brincadeiras mais bacanas era justamente divertir-se com eles. Esperávamos anoitecer (sou do tempo em que depois do banho e da janta a gurizada se juntava em frente de casa para brincar) e saímos à caça dos vagalumes. Colocávamos dentro de um vidrinho de remédio, escuro, para usá-los como lanternas.

Era mais uma das muitas brincadeiras que se fazia nas antigas.

Sem muita tecnologia, sem aparatos eletrônicos, feitas apenas com aquilo que tínhamos em casa.

Uma lata de tinta cheia de areia, um pedaço de arame somado a um pouco de imaginação se tornavam em poucos minutos em um rolinho compressor. Uma barra de ferro dobrada e uma pequena argola e já tínhamos um arquinho para rodar por aí. Não sabe o que é um arquinho? Procura no Google.

Você, mais novo, talvez não entenda, mas com um pneu velho brincávamos o dia todo como se fosse um carro, rolando-o pelas ruas do bairro, chegava-se em casa à noite com a palma das mãos encardidadas, calejadas e felizes como só nós.

Qualquer objeto, seja qual fosse seu uso, ferramentas do pai, utensílios de cozinha da mãe, material escolar da irmã, e até restos de entulhos poderiam, e eram, transformados em brinquedos bem legais. A capacidade criativa daquela época era superior a de hoje.

Mas e os vagalumes? Sumiram

Há os que afirmam que foi causado pelo desmatamento desenfreado das florestas destruindo seu habitat natural o que impediu sua proliferação. Outros dizem que a urbanização desorganizada de nossas cidades provocaram a quase extinção deles.

Certos ou errados o triste mesmo é que não vemos mais seus pisca-piscas esvoaçantes pelas noites afora. Coitado dos vagalumes.

O leitor mais atento pode questionar o porquê dos vagalumes virem à baila a esta altura? Porque ele fala de vagalumes?

Eu respondo.

De antemão pensei em escrever sobre a política no Brasil, na candidatura do Luciano Huck para presidente, ou quem sabe ainda sobre Bolsonaro que acha que irá resolver tudo na porrada e no cassetete ou por fim sobre as manobras acrobáticas e mirabolantes que nossos deputados e senadores fazem para sempre se darem bem.

Pensei nestes assuntos e entrei em depressão, me deu tristeza, desgosto e enfim nostalgia. Fixei-me nas boas lembranças da época de criança, da inocência dos anos dourados e me lembrei dos vagalumes.

Vamos ficar por aqui mesmo, nos assuntos mais amenos do passado, onde aconteceram tantas coisas boas em nosso país. Ficaram para traz porque nos convenceram que eram coisas ultrapassadas e obsoletas sendo que o novo não nos trouxe nada de melhor.

Fiquemos com as lembranças das coisas da infância. Dos vagalumes, rolinhos, dos arquinhos e das corridas de pneus.

Quem sabe numa próxima eu conto o que fazíamos com os sapos quando queríamos que chovesse. Não falhava uma.