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DIFERENÇAS.



     -  Nós somos todos diferentes, ou somos todos iguais? Talvez essa seja a grande questão da humanidade, mas no fundo no fundo, estou tentado a crer que não existem diferenças entre nós seres humanos; expressamos as mesmas coisas, e por isso somos todos de certa forma iguais.
     -  Eu discordo de você amigo, definitivamente não somos iguais, agora eu te pergunto: O que te levou a crer nessa possibilidade absurda de igualdade entre os homens? Você me surpreende José Carlos, um conceituado médico, o mago do bisturi, eu só acho que você deveria de ser o primeiro ser humano a não concordar com essa ideia besta, somos diferente, vidas diferentes, corações diferentes, gostos diferentes e assim por diante, admita rapaz, não somos iguais.
     -  Não José Roberto, eu abandonei essa crença de igualdade entre os homens a muito tempo, houve um período de obscuridade do meu entendimento em que eu defendia essa tese de igualdade, mas no decorrer dos anos, a penúria do dia a dia, do meu trabalho como médico cirurgião me fez enxergar as pessoas por outro ângulo, por esse motivo creio que somos todos iguais. As pessoas tentam com grande esforço se mostrarem diferentes, mas há aqueles momentos que deixam transparecer grande
similaridade entre si.
     - Tá… Tudo bem… Digamos que nós somos todos iguais como o senhor está propondo, então, por favor, eu quero que você me convença de tal, se possível, com exemplos, vamos lá, pode começar.
     -  Ok, tudo bem… Começarei usando como exemplo os meus pacientes, vou tomá-los como referência até pela convivência diária com eles, na maioria das vezes me deparo com quadros clínicos horríveis, onde os maus hábitos dos pacientes, por assim dizer, interferem diretamente na saúde dos mesmos, dou-lhes as recomendações cabíveis para se manterem saudáveis, como por exemplo: Boa alimentação, práticas de esportes, e algumas outras recomendações. É claro que eles não terão que necessariamente seguir tudo a risca, e nem o fazem, mas o básico disso ajudaria e muito, mas ai vem às famosas desculpas da parte de alguns e reclamações na tentativa de justificar o injustificável; é sempre assim, no final acabam do mesmo jeito, os que discordam e os que dizem concordar, acabam contrariando todas as recomendações e por fim terminam ou na mira do meu bisturi ou em sua funerária. Por isso que são todos iguais José Roberto.
     -  É bem aí que eu discordo, todos esses anos na funerária me fez ver o contrário, os homens tentam ser iguais uns dos outros, mas na verdade são todos diferentes. Tentando ser iguais, tornam-se diferentes.
     - Essa é uma questão de grande complexidade, você não acha? Vejamos nós dois, estou tentado a lhe fazer crer no meu ponto de vista, que é o oposto do seu; já você luta para derrubar minha tese, o que não percebemos ainda é que estamos sendo iguais,
sem percebermos nos enganamos o tempo todo, tentando ser diferentes.
     -  Não, não, e não mesmo… Eu não sou igual a você José Carlos, somos diferentes… Admita.
     -  Te conheço a mais de trinta anos José, e posso dizer que somos iguais.
     -  Quer saber de uma coisa José Carlos… Vamos terminar de tomar essa última cerveja e iremos embora, a noite já chegou e essa conversa de bêbados não levará a lugar nenhum, se eu demorar já viu né, a patroa reclama.
     -  Nisso nós concordamos, é melhor irmos embora José Roberto.
     -  Tubo bem então, vamos embora, essa conversa não vai dar em nada mesmo.
     -  Essa conversa de sermos iguais ou diferentes confunde a cabeça da gente às vezes, uma coisa eu posso dizer que é verdade, quando morremos e estivermos em um caixão, seremos todos iguais, independente do que éramos e de como vivíamos, o destino é o cemitério.
     -  É o que estou dizendo, diferentes ou iguais, morremos do mesmo jeito.
     -  É verdade José Roberto, esse assunto é muito filosófico, melhor deixarmos para outro dia de folga.
     -  Bom estou indo então, um abraço amigo, até mais ver.
     -  Obrigado amigo, qualquer dia desses marcamos um jantar ou que acha.
     -  Vai ser um prazer José Carlos, adeus amigo.
Macedo Pena
Enviado por Macedo Pena em 07/12/2017
Reeditado em 07/12/2017
Código do texto: T6192750
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Macedo Pena
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 35 anos
237 textos (3437 leituras)
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