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CHAPEU DE COURO X LAMPIAO

 
Na minha infância a praça Cafezal era a nossa pracinha, onde quase todas as tardes de domingo havia muito divertimento.
Eu disse todo domingo?
Nao, para nos os garotos do pedaço, eu, Carlin Fumo, Paulo César e outros nos divertíamos ali diariamente.
Como náo lembrar do Dailton e sua manjarra, uma gangorra giratória que nos dava cada tombo...
Mas as tardes de domingo eram especiais com suas brigas de galo que os mais velhos curtiam e cada um deles apostava no seu campeão.
Vou relatar aqui um destes famosos duelos que eram assistidos por muita gente.
Chapéu de couro era o pupilo do Sei Miranda e Lampião era o campeão do Seu Oswaldo.
Os galos se digladiavam em um violento combate, onde Lampião levava certa vantagem, ate que depois de um período de descanso, Chapéu de Couro reagiu e inesperadamente Lampião deu meia volta e saiu como que marchando e logo depois correu vergonhosamente.
Seu Fizinho que era cunhado do Seu Miranda.saiu com esta :
-Eh, eu já sabia que este tal de Lampião ia perder,aquilo era só fogo de palha.
Sei Miranda emendou:
- Esse Lampião deve ser bom e dentro de uma panela de macarrão...
Ah, pra que, seu Oswaldo não gostou e partiu pra briga.
Seu Oswaldo puxou da cinta um revolver e por pouco não se tornou em tragedia aquele divertimento da época que já era proibido naquele tempo.
Hoje os tempos são outros e outros são os divertimentos.
Ah, mas a garotada também dava os seus espetáculos,..
No nosso caso, eram as brigas de Canários da terra.
So que no nosso caso isso não acontecia só nos domingos e sim quase que diariamente. Eu, Totonho,Ylo, Dida,Aroldo e o Ze Guedes eramos os donos do pedaço e nossos canários, os campeões, pois as brigas não tinham vencedores, salvo se um de nos usasse da malandragem de abrir a comporta da gaiola no momento em que o nosso pupilo partisse para o ataque. Mas todos ali sabiam deste macete...
O Ylo gostava de soltar o seu canário e passear com ele em volta da praça.Era lindo de se ver um canário solto indo atras da gaiola onde estava a sua fêmea.
Uma vez, o Totonho soltou o seu pássaro pra brigar com o meu e ambos se enroscaram na parede da gaiola. O Totonho soltou também o meu e ambos brigaram na poeira, enquanto eu e ele saímos na porrada...
Cada um de nos tinha também um coleiro bom de canto e haviam também as disputa entre os coleiros, onde o passaro do Dida , o meu e o do Joao Pelota se destacavam.
Foi n'um domingo a tardinha que o Sr Acácio, um açougueiro la do centro, estava indo la para o Açude que havia na época e hoje se tornou o bairro que leva o nome do Açude , que passando pela nossa precinha, ouviu os nossos coleiros em disputa.
E ele cartou a maior marra, dizendo que o dele ia calar os nossos, o que não aconteceu, foi o dele que se calou, pois naquele dia o meu estava com a macaca e deu um verdadeiro show.
O Acácio  me desafiou a colocar os coleiros pra brigar e eu não me fiz de rogado, mas como eu disse, o meu estava com a macaca e pos o do açougueiro pra correr.
Na hora de separar os pássaros brigões, o açougueiro ainda tentou levar o meu coleiro como se fosse o dele. Mas ele nao ia enganar um garoto escolado como eu.
Então ele tentou uma ultima cartada, tentou comprar o meu pássaro por um bom dinheiro, mas eu prontamente recusei e ele foi embora carregando a frustração daquele dia...
Eh saudade matadeira daqueles bons tempos. (Eu acho que essas historias dariam um livro...)
ANESIO SILVA
Enviado por ANESIO SILVA em 30/12/2017
Código do texto: T6212407
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
ANESIO SILVA
Volta Redonda - Rio de Janeiro - Brasil, 69 anos
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