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O DIA EM QUE BATI NO MEU NAMORADO COM O TCC DELE

     Eu havia começado a namorar no Carnaval daquele ano e o momento descrito a seguir, aconteceu no fim de semana da Páscoa, mais precisamente, na Sexta-Feira da Paixão. O meu namorado estava de mudança e me chamou para ajudar na arrumação das suas coisas, como encaixotar livros e objetos. Com pouco mais de dois meses de namoro, eu ainda não tinha acostumado com a namorada anterior. Meu ciúme ultrapassava os limites da normalidade e quase gerou um ataque psicótico, ora, onde já se viu sentir ciúmes do passado, além do mais de alguém que já tinha sumido do mapa. A idéia de ter alguém anterior a mim me incomodava e pensar nas coisas boas que eles viveram, me doía demais. Enquanto guardávamos seus pertences, lembranças de sua infância e adolescência foram sendo revistas, até que chegamos na parte que remetia seus documentos de faculdade. Ele havia se formado há uns seis meses e ainda mantinha muitas folhas da época de graduação.
     Em meio a livros, folhas e materiais, eis que surge ele, o bendito Trabalho de Conclusão de Curso. Meu namorado apareceu todo pimpão com o TCC para me mostrar. Folheamos, ele me mostrou as páginas, as imagens, as referências. Tudo, menos a página de agradecimentos. Curiosa, abri na página e vi declaração para a mãe, para os amigos de infância, de faculdade, professores, orientadores, a tia da cantina, motorista do ônibus...Estranhei não ter achado nada sobre a sujeita, porém fiquei tranquila, admito. Enquanto isso, ele continuou as arrumações. A burra aqui resolveu procurar pêlo na cabeça de ovo e olhar novamente a página de agradecimentos. Foi batata !!!! Encontrei no segundo parágrafo, logo abaixo da citação para a mãe, uma baita declaraçãozona de amor pra garota, com direito a apelidos românticos e tudo. Nessa hora, ele tinha saído do quarto para fazer não sei o que, quando voltou, eu estava a sua espera sentada na beira da cama, com as pernas cruzadas, o TCC aberto no meu colo e um sorriso de psicopata assassina. Na altura dos dois meses de namoro, ele já conseguiu identificar que algo estava errado e foi aí que me perguntou o que tinha acontecido. Como uma mulher ciumenta, mantive o sorriso de psicopata no rosto e respondi que estava tudo bem. Ele insistiu em saber o que aconteceu, dessa vez apelando pelos golpes baixos de pegar na minha nuca e olhar profundamente dentro dos meus olhos. Como um ímpeto, pulei da cama, dei um grito de raiva e bati nele, com o seu próprio TCC. Tadinho, ele não sabia se me segurava, tirava o livrinho da minha mão ou ria. Depois do ataque e de muitos gritos dele para que eu parasse, parei. Joguei o trabalho com toda a raiva do mundo dentro da caixa, com o sentimento de enterrar aquilo e nunca mais encontrar. Segui as arrumações normalmente, com um lindo sorriso (dessa vez de alívio sincero) enquanto ele ainda tentava entender o que aconteceu. Quando estava mais calma, ele conseguiu me irritar mais ao soltar a frase " você estará na declaração do Mestrado, amor" , sendo que isso era somente planos futuros.
     Me arrependo sobre a atitude infantil tomada, sobretudo das "agressões". O meu ciúme exclusivamente para a determinada pessoa continuou, porém, pude perceber que nossa relação era maior do que qualquer história amorosa passada que qualquer um de nós possa ter vivido. Hoje, continuamos juntos e ele está cursado o Mestrado e confesso que aguardo ansiosamente a declaração prometida...
Branca Santos
Enviado por Branca Santos em 05/01/2018
Código do texto: T6217221
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Branca Santos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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