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Assim ou ...nem tanto. 125

“ A eternidade é um relógio sem ponteiros”
Mário Quintana

Acabe-se com o tempo e nenhuma distância será medida. Sem querer, caímos na eternidade, no infinito, na boca mansa de um esquecimento que nos levará até onde nem suspeitamos. Dormiríamos como solução para apagar o problema. O sono é a morte reversível do corpo e o sonho, recheado de tanta coisa insólita, absurda, improvável ou impossível, mais não é que a solução codificada das questões que nos prendem à necessidade de escolha e decisão. Dormimos, sonhamos, acordamos e a incerteza acaba. Algo de profundo nos foi, entretanto, revelado à mistura com as banalidades do dia. Entra-se num ponto do infinito e saímos noutro que nunca saberemos determinar. Sem marcar o tempo, esquecidos dele ou a bordo de um sonho, entramos na eternidade. E como é avassaladora a eternidade! A morte do tempo não nos deixa desistir e impede-nos o regresso ao ponto de partida. Ser eterno é de tal forma pesado que, sem Deus, a nossa humanidade se reduziria a um ponto irrelevante do espaço, essa incomensurável distância onde só seríamos mais um absurdo.


Edgardo Xavier
Enviado por Edgardo Xavier em 09/01/2018
Código do texto: T6221568
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Edgardo Xavier
Portugal, 74 anos
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Edgardo Xavier