Envelhecer é a melhor coisa do mundo

Tenho horror só de pensar na minha aposentadoria. Aos 60 anos, estou com mais energia do que meu filho com 21. Tenho mais sonhos, planos e projetos do que ele. Enquanto ele não vê a hora de descansar, o meu gás é pra trabalhar, que por sinal, adoro. A imagem de ficar "de boa" nas 24 horas do dia faz arrepiar meus cabelos já brancos. Saber que vou acordar amanhã sem ter o que fazer, resolver, construir, conquistar seria pra mim a sentença de morte. Estou envelhecendo, não nego, tenho uns 25 anos de vida ativa e lúcida pela frente (Deus me ouça...) e agora é o grande momento da minha vida. Hora de consolidar tudo o que planejei, colher frutos da sementes plantadas (boas e ruins) e tocar a bola pra frente. Imaginar-me "aposentado" dá uma agonia danada, saber que tenho grana pra bancar o básico da minha vida e que, por conta disso, não preciso mais matar um leão por dia é deprimente. Ficar velho é bárbaro, gostoso, saudável. Ter todas sabedorias que os erros, acertos, derrapadas, burradas, vitórias, realizações etc. etc. proporcionaram me faz gigante, capaz de derrotar até Deus se preciso for. Portanto, viva o envelhecer e todas as benesses que isso traz (estou indo 3 vezes por semana ao cinema porque não pago a entrada, coisa que não fazia há muitos anos!). E se, apesar de tudo, a morte, sempre à espreita, fizer uma desfeita comigo e me pegar desarmado, tudo bem. Terei a certeza de que fui até o fim da linha com as mangas arregaçadas, pronto pra o que desse e viesse. Quando tinha 20 anos, nunca imaginei que chegaria aos 60. Agora que cheguei, não imagino chegar aos 90. Certamente vou muito além disso.

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Oscar Silbiger
Enviado por Oscar Silbiger em 14/02/2018
Reeditado em 14/02/2018
Código do texto: T6253307
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