A IMPORTÂNCIA DO DIA 02 DE MARÇO

Dia 02 de março é data de certa significação para mim. Há três anos, aposentei-me do Banco em que trabalhava. Há vários anos já havia encerrado as atividades de escritório e de magistério superior. Jubilei-me, portanto, aos 68 anos, em caráter absoluto e definitivo. Para quem assinou o primeiro contrato aos dezoito anos, não foi pouco tempo na ativa, ora aqui, ora acolá, ora a colibri, fazendo um pouco disso ou daquilo. Tirante, basicamente, a liberação de compromissos formais e responsabilidades, a vida não mudou tanto assim, como já previa que iria ocorrer: netos pequenos, cachorrinhos, mulher trabalhando, família e minhas conveniências. Portanto, não me pus a viajar a toda hora, a fazer academia, a freqüentar o boteco da esquina ou a jogar dominó na Praça da Alfândega. Não vou ao centro da cidade há bem mais de dois meses: durmo muito tarde e me acordo mais tarde ainda. Tem quem possa achar ruim, mas acho muito bom, cada um no seu quadrado. Quando enjoa, vou a Gramado ou viajo. É possível concluir que não haveria óbice à continuidade do trabalho. Em princípio, realmente não. O problema é que minha geração tem outra cabeça e já atingiu um patamar diferente pelo passar dos anos, arriscando desencontros eventuais de postura e pensamento com os mais jovens, que buscam e merecem espaço. Os mais antigos não viram “sapos”, mas podem tornar-se monumentos ou peças de museu na dinâmica de certas atividades - não todas, é claro. Eles ficam, pelo menos, mais caros e naturalmente um tanto deslocados do contexto. Meu testamento é o seguinte: a aposentadoria bem calculada é ótima; não pensem em trabalhar depois, salvo casos especiais; após certa idade, pouquíssimos vivem só de aventura e grandes navegações. Raízes e vida interior são importantíssimas para uma boa vida, além de um bom vinho tinto.