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Eu


A noite nebulosa não tem estrelas.
Sentados num banco na varanda do mosteiro, eu e Sarah conversamos.
- Gosto muito de conversar com você, Sarah. - digo.
- Também gosto de conversar com você, André. Quero agradecer pela massagem terapêutica. Estou bem agora. Pronta para o próximo resgate!
Sarah realmente está muito bem. Sua energia é impressionante. Ela emana uma energia muito boa e forte. Sinto-me bem só de estar perto dela.
- André, pode me dizer o que está perturbando você. Posso sentir isto.
Não dá para enganar uma amiga, muito menos uma amiga que é um anjo e guerreira ninja.
- Às vezes tantas limitações físicas me desanimam. É uma vida em que sou totalmente dependente de ajuda. Enjoa...
Sarah apenas escuta o que falo. Ela não esboça nenhuma reação, nada.
- Hoje em dia não consigo mais realizar trabalhos, nem ajudar em casa ou outro lugar. Nem proteger os que precisam... Fisicamente, está realmente complicado. - continuo a falar.
Sarah, depois de ouvir atentamente o que digo, diz:
- Não é o que vejo, André. Sempre que vou observar sua vida física, vejo pessoas que gostam de você te ajudando e você, sempre útil, mesmo com limitações. Quanto a proteção, você nunca está sozinho.
Sarah agora sorri e me abraça.
Mas depois de um tempo falo:
- Sarah, obrigado por me ouvir. Confio muito em você. Tem coisas que preciso falar.
Dizendo isto começo a chorar. Recomponho-me e continuo:
- Tem coisas que doem por dentro. Sei que aqui sou normal, sem deficiência, mas no mundo físico é complicado. Sabe, Sarah, depois que o meu filho nasceu só fui piorando. Gostaria de ter jogado bola com ele e passeado mais. Tantos passeios que não fizemos.
- Mas você é um bom pai. Sempre brincou com seu filho, sempre passeou com ele, sempre o ajudou nas lições da escola. Você sempre adaptou sua vida para interagir.
- Mas queria que fosse diferente. Mas tem coisas que não mudam e nem voltam.
Sarah me olha e me segura firme. Voamos então por montanhas e mares maravilhosos. Descemos numa praia paradisíaca, com águas cristalinas e tonalkdade laranja. Que lugar lindo!
- Vamos nadar, André!
Entramos naquelas águas mornas e nadamos por algum tempo.
Voltamos depois para o mosteiro.
AndréFurlan
Enviado por AndréFurlan em 20/05/2018
Código do texto: T6341598
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Sobre o autor
AndréFurlan
Campinas - São Paulo - Brasil
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