O MUNDO CONECTADO

A ideia de uma aldeia global é mais antiga do que a internet. Possivelmente seu alvorecer chegou junto com a era dos satélites orbitando o planeta. Com os satélites ficamos sabendo cada vez mais rápido o quanto nosso lar cósmico pode ser trágico. Em muitas ocasiões com a nossa ajuda.

Quando lemos o enunciado de globalização, de cara constatamos como verdadeiro o fato que ela reduziu os custos dos meios de comunicação e transporte. Duvidoso é afirmar que esta redução foi causada por uma integração internacional econômica, social, cultural e política entre as nações.

Paulo Coelho resumiu o óbvio ao dizer que a internet foi a maior invenção das últimas décadas. Muitos viram no surgimento da internet um instrumento que poderia incrementar movimentos como os da contracultura nos anos sessenta e setenta. Temia-se a sua capacidade de comunicação em massa. Assustou os conservadores.

Hoje sabemos que isto é praticamente impossível. A contracultura foi uma batalha travada para desestabilizar o conservadorismo. O conservadorismo não apenas venceu, também se transformou numa espécie de super-herói das redes sociais nos dias atuais.

O que nos contariam as postagens comentando os americanos matando “comunistas” de toda espécie no Vietnã. O que as postagens comentariam do movimento hippie. Do sexo livre. Com toda certeza as redes sociais enxergariam Woodstock como um bacanal. Um ótimo filme da vitória do conservadorismo sobre a contracultura é “Hair”, O hippie que morre no Vietnã, por querer ajudar seu amigo soldado.

Embora já tenha visto afirmações, não comungo com a tese de que ter praticamente todo o conhecimento do mundo, passando pelo divertimento e chegando a pornografia com poucos cliques possa ser contracultura. Contracultura seria mudar o mundo com esses cliques. Fazer uma nova revolução contra o conservadorismo.

Para vencer as batalhas e manter-se soberano, o conservadorismo precisa de apenas uma arma. Manter seus enormes currais na ignorância absoluta. Ele nem se preocupa com todo o conhecimento à disposição. Sempre foi uma minoria que soube como usá-lo. E essa minoria vem diminuindo drasticamente com o canto de sereia da tecnologia.

O conhecimento sofre também com seu “Calcanhar de Aquiles”. As crenças e suas lavagens cerebrais. As crenças certamente não levam ninguém para o céu, mas enfeitam com luzes de néon o altar do conservadorismo.

O advento das redes sociais tem reforçado a concepção de que uma aldeia global conectada é pura falácia. Uma canção de “Hair” repete por quase dois minutos “Let the Sunshine in” (Deixe o Sol Entrar). Na hora de escolher, optamos pela escuridão.