GRAÇAS A DEUS

Sempre quando ouvia pessoas falarem expressões tipo: Vai com Deus... Fica com Deus... Graças a Deus... e outras correlatas, a primeira impressão que eu tinha era de que essas criaturas no mínimo estavam conscientes da responsabilidade que tinham em invocar o nome de Deus.

Hoje é difícil pensar assim. O nome de Deus tem sido matéria prima preciosa para exploradores da boa fé de pessoas incautas, para picaretas e trapaceiros que se locupletam fazendo uso de Seu nome.

Passei a ter cautela com essa gente. Cautela não só com os falsos profetas, bispos, apóstolos que proliferam mundo a fora, mas também com certas criaturas que às vezes passam a impressão que não tem escrúpulos quando invocam o nome de Deus.

No mínimo imprescindível seria, estarmos muito conscientes da responsabilidade que deveríamos assumir, sempre quando invocássemos o nome de Deus. Necessário seria cada um de nós fazermos sempre uma simples perguntinha: será que o meu comportamento, as minhas atitudes, as minhas ações, os meus pensamentos correspondem ao que Deus espera de mim? Será que estou ou tenho buscado alcançar num nível de elevação espiritual que me conceda evocar Seu nome?

Conheço muitos que rezam, oram, se auto proclamam devotos de Deus, mas apresentam atitudes alheias aos preceitos cristãos. Pessoas amargas que não hesitam em humilhar, denegrir, esculachar seus subordinados ou quem delas precisem. Pessoas que apresentam uma personalidade multifacetada, ou seja, dias estão amáveis, receptivas, fraternas; dias brutas, arrogantes, amargas, como se o mundo e as pessoas à sua volta fossem responsáveis por suas frustrações, recalques ou sabe-se lá o quê.

Há aquelas pessoas que dão mostras de que conhecem, na “ponta da língua”, a palavra de Deus, que são exímias na arte de pregarem sermões, que se proclamam cristãos, que enaltecem a humildade de saber ouvir, mas não sabem dialogar, conversar, não aceitam argumentos. São arbitrárias, rancorosas e..., coitado de quem se contrapõe às suas idéias. Nada deixam a desejar aos ditadores cruéis que o mundo conheceu.

Será que ao invocarmos o nome de Deus levamos em consideração as máscaras tantas que as vezes usamos para falsearmos nossas verdades, nossos sentimentos, nossas emoções? Será que temos consciência da nossa língua ferina por onde as vezes destilamos nosso veneno e, principalmente, dos juízos que fazemos das pessoas, alicerçados somente sob a égide de nossas próprias convicções, onde nos vestimos de juízes e aplicamos nossas próprias leis, sem sequer concedermos a chance de defesa aos nossos desafetos?

Será que ao rogarmos a Deus, levamos em consideração o pavor que sentimos em pedir desculpas a quem ofendemos, por nos custar caro descermos um só degrau do nosso orgulho?

E o perdão, sabemos perdoar? Será que você é capaz de perdoar uma ofensa, uma agressão física ou verbal? Ou você é um daqueles que aguarda um dia atrás do outro e sentirá uma pontinha de prazer se algum dia você souber que seu desafeto "tá na pior"?

Impressionante é que essas pessoas parece imaginarem que o fato de postarem-se perante a cruz, de terem suas imagens santas penduradas no pescoço, de saberem trechos da Bíblia, de orarem, rogarem, suplicarem e invocarem o nome de Deus, já lhes é condição precípua para serem merecedoras do reino dos céus.

Não sei rezar, não sou de freqüentar cultos religiosos, de ter símbolo sagrado pendurado no pescoço ou de ser devoto de algum santo. Não sou por um motivo: conheço e reconheço as minhas vicissitudes, fraquezas, vícios, defeitos e tentações que estão, feito nódoas, impregnadas, em mim, no meu espírito, na alma e que me põem distante de Deus, embora eu persiga o momento em que possa me postar diante do Supremo, não como um homem perfeito, mas convicto que tenho me empenhado em corresponder ao que Ele espera de mim e à parte que a mim foi reservada nos Seus planos.

De pouca valia terá as nossas palavras, as nossas súplicas religiosas, as nossas orações. "Deus quer mesmo é nos ver em ação"!!! (Raul Seixas).

eduardo.conde@uol.com.br

Eduardo Conde
Enviado por Eduardo Conde em 04/09/2018
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