VOU CONTAR NÃO (BVIW)
 

Até os dezoito anos fui moça do interior, daquelas que passeava de braço dado com as amiguinhas e ninguém imaginava que a gente tinha um “caso”. Do tempo que se  “flertava” com os moços que para mostrar o seu interesse quando passava por nós dava uma piscadinha, no namoro nada de liberdade, no máximo se permitia que segurasse na mão. O dever de ir à missa todos os domingos era sagrado, a confissão e a comunhão coisa obrigatória. Havia respeito muito grande pelo professor, e pelos pais, avós, tios nem se fala. O estudo era levado a sério, tinha na ponta da língua, o nome dos rios, afluentes, estados e capitais do Brasil e do resto do mundo, a tabuada se sabia de cor e salteado. E haja decoreba! Antes do início das aulas  cantava o hino Nacional e hasteava a Bandeira. E dessa forma a gente vivia calma e traquila , esperando “crescer”,casar com um primo, ter um punhado de filhos, sem descuidar da casa e do marido, com lenço na cabeça e “avental todo sujo de ovo”. Parto feito em casa, com a parteira dona Joana, o médico da família era o farmacêutico da esquina, tosse se curava com “Benadril”; amarelão? Biotonico Fontoura, (indicado por Jeca Tatu); falta de vitaminas? “Emulsão de Scott “
Ás vezes a coisa não terminava por ai,  a gente podia querer   ser moça da cidade, então, inventava de enfrentar uma faculdade, novos amigos, outros costumes, deslumbramento... Mas aí é outra história,  VOU CONTAR NÃO, passei dos dezoito  e das dezoito linhas.
(Imagem copiada do  Google)
Zélia Maria Freire
Enviado por Zélia Maria Freire em 07/11/2018
Reeditado em 07/11/2018
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