PÁTRIA SACANEADA BRASIL

Ouviram do Ipiranga as margens flácidas de um povo covarde a piada humilhante

Que um sol de crueldade, em raios estúpidos, brilha no céu da Pátria a todo instante!

Se o terror dessa desigualdade vemos crescer porque o braço é mole

Em teu deszelo, ó Crueldade desafia todo dia com a própria morte!

Ó Pátria esculachada! Enlameada! Chore! Chore!

Brasil, um sonho dantesco, um raio pífio

De desamor e de desesperança à terra desce

Se em teu desarmonioso céu, tristonho e ínfimo

A imagem do Cruzeiro desfalece

Pequeno pela própria natureza: És feio, és fraco, pele e osso

E o teu futuro espelha essa tristeza

Terra odiada entre outras mil

Só tu, Brasil, ó Pátria desolada!

Dos filhos deste solo és madrasta vil

Pátria sacaneada Brasil!

Deitado, inútil e preguiçosamente ao som do mar e à luz do céu imundo

Fulguras, ó Brasil, o esgoto da América, iluminado ao sol do terceiro Mundo!

Do que a terra mais perdida teus tristonhos parcos campos não têm mais flores

Nossos bosques não têm mais vida e nossa vida não tem mais amores

Ó Pátria esculachada! Enlameada! Chore! Chore!

Brasil, de amor corrupto seja símbolo! O lábaro que ostentas arruinado

E diga o verde-louro desta flâmula: pilhagem no futuro aprendida no passado

Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu sempre foge à luta

Com o jeitinho, o recurso, da última instância a sorte!

Terra odiada entre outras mil

Só tu, Brasil, ó Pátria desolada!

Dos filhos deste solo és madrasta vil

Pátria sacaneada Brasil!

CAMPISTA CABRAL
Enviado por CAMPISTA CABRAL em 07/11/2018
Código do texto: T6497140
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