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Prólogo?

Respiração ofegante, rua vazia, calmaria...  Focalizou seus olhos em um enquadramento de seus pés andantes. Um passo, dois passos e assim por diante. Quando viu já estava no topo do morro, mas isso foi bem depois de perceber as coisinhas. Sentiu o cheiro, mas estava resfriada e por isso não sentiu. Mas percebeu o horizonte do mundinho pequeno debaixo de seus pés.  As árvores eram grandes, pensou. Mas o matinho que cresce no cimento pode ser enorme para as formiguinhas.

Sentiu o vento carregando o seu cabelo para o lado e para o outro, suavemente. Quase como se fosse de propósito, uma cena artificial sendo criada para um filme de Hollywood. Porque Hollywood? É o genérico.

Viajou em sua unha malfeita, poderia fazê-la, mas há muito o que se fazer. Acabou descobrindo uma fórmula, mas não exatamente uma fórmula universal, mas talvez a sua fórmula universal de reconhecimento, de iniciação de inspiração. Inspiração...  Na verdade, caro Wall, não é preciso de muito para classifica-la inspiração. Não há fórmula, mas é preciso de uma.

E agora estou pensando. Talvez seja o efeito dos remédios que venho tomando, de calmaria, de resfriado e de... somente. Mas a respiração do meu corpo, da observação das formiguinhas que não se encontravam ali naquele morro, naquele tempo de sol e meio frio, naquele horizonte banal. Foi ali que eu encontrei uma motivação, um buraquinho em meu coração para ser preenchido.

Então descobri, que terei que viver intensamente se quero seguir essa profissão. Sentir a calmaria e o furacão como jamais senti. Perceber o cheiro, o gosto dos diferentes tipos de rosas que encontrarei por aí. Por aí. Descobrir de quantas maneiras existem, não quantitativamente, mas qualitativamente, como se fosse uma pesquisa de campo, de quantas maneiras poderei descrever o amor, o arbusto, a mãe, os folhetos espalhados pelo chão da cidade.

E é de boca aberta, quase sem respirar por causa desse pó que lava a alma, que perturba o corpo, mas inspira a alma, que suja o corpo, que inunda, mas que favorece sem pretensão alguma a alma que carrego, a arte que ninguém vê e que quase ninguém escuta. Como eu estava dizendo, é de boca aberta que...
BÁRBARA REIS – 7 DE JULHO DE 2018- PRIMEIRO CAPITULO DE ALGUMA COISA
Bárbara Reis
Enviado por Bárbara Reis em 09/11/2018
Reeditado em 09/11/2018
Código do texto: T6498596
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Bárbara Reis
Ribeirão das Neves - Minas Gerais - Brasil, 18 anos
14 textos (259 leituras)
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/11/18 03:31)
Bárbara Reis