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NO VERÃO

Pois é, estamos no horário de verão. Apesar de todos os pontos negativos que eu encontro, durante esse período, eu gosto da sensação de ter tardes mais longas. Tem-se a impressão de que o dia nunca vai acabar e, para os melancólicos, é um período perfeito para reflexões. Que coisa é essa que nos invade e ficamos a filosofar? Nós, que sentimos tudo a flor da pele, não conseguimos mesmo apenas deixar o dia passar. Sempre tem um “macaquinho no sótão” a nos atormentar.
Por outro lado, o horário de verão pode deixar a gente um pouco mais contemplativo. Simples assim. Passamos a olhar melhor para as coisas e pessoas. Mudamos o nosso trajeto na volta do trabalho e aproveitamos para olhar e ver tudo. Às vezes, na correria, só olhamos, mas não enxergamos o essencial. Com dias assim mais iluminados, surge a oportunidade, também, de se mudarem hábitos.
É o que tenho feito. Durante a semana, mudei algumas coisas. Passei a sair um pouco mais tarde para atividades físicas. Como o dia vai ser comprido, não há necessidade mesmo de tanta pressa. Eu posso buscar rotas alternativas e passar por lugares que antes não passava. Posso também prolongar o tempo da atividade e, assim, saborear outros cenários.
A gente passa a enxergar coisas, lugares e pessoas de um modo diferente. A gente vê com um olhar mais curvo. Essa mudança de olhar, de perspectiva, gera novos cenários. Daí, descobrimos sons, perfumes e cores nunca antes experimentados. Só neste verão de agora? Não. Para o próximo, surgirão outros espetáculos.
Nos finais de semana, para aliviar o tédio que me invade, quase sempre, tenho ido a um parque próximo de casa. Pois é, moro por ali há tanto tempo e nunca me preocupei com esse parque. Ficar por ali tem me feito descobrir pessoas, coisas e acontecimentos singulares. Dia desses, vi dois rapazes que caminhavam pelo parque de mãos dadas. Com certeza, um casal homoafetivo engatando um romance. Isso me encantou sobremaneira. Sem nenhum motivo aparente. Deixou-me, também, muito feliz. Em outros tempos, lá na minha juventude, isso não aconteceria. O casal seria execrado e, quiçá, banido do parque.
Serão tempos modernos? Não. Acredito que seja mais o reconhecimento das diferenças. Afinal, qualquer forma de amar vale a pena!
Peluro
Enviado por Peluro em 06/12/2018
Código do texto: T6520540
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Sobre o autor
Peluro
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 55 anos
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Peluro