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Coisas do Destino

A história das pessoas é permeada por imprevistos. Ninguém escapa das tramas do destino. São as circunstâncas que governam as pessoas. Isso em qualquer terreno. E priu.

Eu,  por exemplo (que pretensão!), fui bancário por mais de trnta anos sem nunca ter pretendido exercer essa profissão. Fui levado a ela pela força das circunstâncias, ou pelo destino. Tanto faz, né mesmo?

Em 1964, eu era apenas um malandreco. Vivia ana farra, na gandaia, bar, sinuca, cabaré... Bem, às vezes dava uma mãozinha nas campanhas políticas, tomava conta do comitêdo PTB nas campanhas, ensinava os analfabetos a votar, a assinar o nome, dava uma de locutor, percorria a zoana rural... Depois das campanhas voltava à malandragem. Deixara de estudar, fiz o ginasial, na marra, e parei. Mas mesmo em meio à malandragem almeja um emprego público. Foi aí que um vereador amigo do meu pai resolveu se empenhar em conseguir um gancho para mim. Havia dois deputados votados pelo PTB na cidade, um era Estácio Souto Maior (pai de Nelson Piquet) e o outro Osvaldo Lima Filho. Um tinha força no DNOCS e o outro na Rede Ferroviária. Ambos se comprometeram, prego batido, ponta virada. O vereador er pule de dez, ficou exigindo.

Fquei na espera, era fevereiro. Fiz até planos, passava na frente do DNOCS, um prédio lindo, tinha até umas tamareiras, olhava para lá e me sentia importante num daqueles birôs, emprego no DNOCS dava destaque. Mas a minha preferência, pasmem, era pela Rede, o emprego era de sub chefe da estação. Já me via comandando tudo, os trens, o pessoal, aquela animação que era a estação. Mas aí briguei no sinuca, briga feia, veio até polícia. Meu pai arretou-se. Foi na hora que estava acertando com meu irmão a ida dele a Pesqueira para se inscrever num concurso do Banco do Nordeste. Não teve d´vida: - Você vai também se inscrever nesse concurso. Fui que jeito... Toda noite meu irmao me levava pra estudar, enquanto ele, ex-bancário do Banco do Povo, ficava estudando contabilidade, eu fiava ouvindo rádio, aqueles programas da R[ádio Tupi e Rádio Globo de depois de meia-noite. No comecinho de março fiz o concurso, tudo pro forma. Meu irmão ficou animado, achava que dava para passar, eu nao, sabia que não conseguiria. Mas restava os empregos prometidos. Qual o quê!, rebentou o golpe militar e os empregos viraram pó. Mais: meu pai foi preso e nós ficamsos na pior, nem na farra eu ia mais, fiquei confinado em casa, a perseguição era grande. Mas aí, acho que em meados de maio, o carteiro chegou em nossa casa e entregou um telegrama, nele o BNB avisava que eu fora provado no concurso e meu irmão também, que fossemos a Pesqueira receber as instruções sobre documentos e exame de saúde.

Passei, pasmem, em segundo lugar e meu irmão em décimo primeiro. Virei bancário sem nunca ter sonhado com isso. Fui bancário por mais de trinta anos, repito. São coisas do destino. Dia desses minha irmã que me conhece como as palmas de suas mãos me perguntou: - Nêgo do beição, se tu tivesse que escolher entre a Rede Ferroviária e o banco o que tu escolheiria? Fui sincero: - Escolheria a Rede. Juro. Mas a gente não manda no destino. Inté.
Dartagnan Ferraz
Enviado por Dartagnan Ferraz em 06/12/2018
Código do texto: T6520647
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Sobre o autor
Dartagnan Ferraz
Recife - Pernambuco - Brasil
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