MINHA MÃE ERA SÁDICA !

Penso que minha mãe era sádica e eu nem sabia (creio,nem ela se dava conta do estrago).
Por volta de meus cinco anos,à tardinha adentrávamos a um potreiro para levar suprimentos aos cavalos que meu avô havia deixado sob os cuidados de meu pai.
O caminho era razoavelmente longo e percorrido por carreadores onde algumas pequenas pontes improvisadas deitavam-se sobre os banhados.
Nos banhados, elas !
As rãs.
Dentre estas, uma espécie que coaxa em forma de lamento.
[ Algo parecido com choro de criança muito pequena ]
Aquilo me incomodava.
Acho que minhas emoções estavam bem a frente da minha condição de piá de cinco anos.
Refletia sobre aqueles cenários bucólicos,tristes e escurecidos e reservava-me o direito às conclusões.
[ Tudo muito sinistro o que se passava pela minha cabeça, confesso]
Numa certa tarde, confidenciei à minha mãe minhas amarguras diante do ermo daqueles lugares e em especial,sobre as rãs.
Eis a pérola de dona Hilda que marcou-me para sempre:
-São crianças que foram abandonadas e choram a ausência das mães.
Não culpo a " psicóloga " pelo esclarecimento,mas juro!
O esclarecimento foi devastador.
Ainda hoje,quase caíndo de velho,quando deparo-me com aqueles coaxares ao fim dos dias ponho-me a ruminar sobre o abandono daquelas pobres criançinhas.
Que sina !

Joel Gomes Teixeira