Pequenina Crônica do Dia:O Escapamento que fugiu...

Retornava para minha casa, no ônibus Cordeiro expresso - depois de estar na Paróquia de Santo Antônio de Lisboa, localizada em um passeio público de alcunha Batista Campos (nome este também do bairro) ... uma referência a um dos líderes do Movimento Cabano paraense: o Cônego, do mesmo relevo.

O coletivo desenvolvia uma pródiga celeridade em sua rota sem crateras (nesta cidade tão arquimilionária em fissuras) pequenas, médias ou grandes. Fica a critério do freguês. O céu não estampava um sorriso belo, mas uma carantonha medonha de nuvens cinzentas. Frias. Ronceiras. Como se estivesse avisando aos que aqui embaixo fazem coisas: “Ô gente apressadinha; tá na hora de tirar a roupa do varal...eu tô chegando”.

Não sei precisar em que ponto da viagem, ainda perdido em minhas reflexões (onde parecia estar no vagão de uma locomotiva a vapor) retornando a antiga Estrada de Ferro Belém Bragança – mas, todos dentro do vagão, digo, ônibus, ouvimos um estampido suficientemente alto, para quebrar o rolo de devaneios ou preocupações em nossas cacholas duras.

De princípio, parecia ser um objeto se desarrolhando numa velocidade incrível – depois, algo caindo na via. Fazendo o carro trepidar. E saímos da pista expressa para a rota comum do trânsito belemense: aquele horário não tão apatacado de engarrafamentos. O burburinho tomou conta de todos, e ficamos ali na espera da resolução da parábola. Sem mais tardar, deu-se falta de algo essencial no veículo: o escapamento....

O cano de descarga simplesmente fugira de sua posição e função, caindo às vistas de um malaco astuto – este passou a mão no objeto de metal – e saiu em desabalada carreira por uma das transversais da Almirante Barroso(?!) – E no seu encalço: o motora, do busão. Não sabemos o acontecido entre o malaco e o motorista, pois, este último trazia em seu ombro – o troféu da disputa. Que aliás, retornava em boa hora para seu recanto. Em outras mãos, com certeza, viraria ferro liquefeito em algum ferro velho de sucatas e quinquilharias da cidade das mangueiras. “É, Belém têm dessas coisas! E esta será mais uma lenda urbana, para contar para as futuras gerações”! - AMORIM, Dias, Flávio. In: 22-03-2019

Homem do Guarda Chuva Preto
Enviado por Homem do Guarda Chuva Preto em 09/04/2019
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