A Páscoa dos Invisíveis...


Na terceira semana de abril
O domingo amanheceu ensolarado mas frio
A balbúrdia das crianças na rua antes deserta
Sugere algo há ser comemorado
Exultantes com seus ovos de chocolate recheado
Aos poucos uma moça lentamente desperta
Com uma postura firme e cintura macia
Adorna um vestido leve para ir a padaria
Assim que abre o portão
Um rapaz mal trapilho vem em sua direção
De tanto ouvir que o mundo é cruel
Meus pais sempre repetem
Nunca fale com estranhos Raquel
Mas o desconhecido apenas me estende a mão
Tem fome...
Mesmo todo mundo o chamando por irmão
Sigo apressada e sem olhar para trás
Mas o desconhecido segue a moça de Batatais
Aperto o passo e a intolerância entre os carros buzina
O desamor parece me espreitar a cada nova esquina
Finalmente vejo a panificadora no meio do quarteirão
São só alguns passos
Transeuntes com imensos presentes cheios de laços
E uma moça cabisbaixa aguarda no balcão
Só tenho dinheiro para dois pães
E penso que um só não matará a fome minha
Mas é tão bom ver renascer o amor nos corações
Por favor coloque os pães em duas sacolinhas
A vida fez daquele rapaz um invisível senhor
Que como aquela moça luta pelo resgate do amor
Dividir um pão não deveria ser para o mundo um dilema
Aqui esta a sua sacolinha...
Feliz Páscoa morena
O rapaz agradecido segue em outra direção
Mas lá na frente se vira e sorri
Para a moça que segura a outra sacolinha na mão
Voltando para casa

Leva os dedos entremeio ao seu busto
A invisível moça que só deseja ao mundo o justo
E toca o pingente de lata em forma de cruz
Mal sabia ela que aquele também invisível rapaz
Atendia pelo nome de Jesus...




                                


A todos os meus amigos do Recanto, desejo uma Feliz Páscoa e o melhor que eu tiver dentro do meu coração...
Raquel Cinderela as Avessas
Enviado por Raquel Cinderela as Avessas em 20/04/2019
Reeditado em 20/04/2019
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