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O Velho

Na cidade de Madarilhia o velho conseguia todas as mulheres.
Lógico que os outros homens não entediam o por que. Não existia idade, raça ou religião, enfim nada que impedisse o velho, aliás ele tinha 68 anos.
Três rapazes da cidade grande chegaram na cidadezinha como se fossem os donos do galinheiro.
- Cara estamos feitos, nenhuma garota vai resistir a gente.
E saíram cantando todas as meninas da cidade.
Para surpresa e incredulidade deles, nenhuma aceitava suas cantadas. Começaram até a cantar as mulheres mais velhas e nada.
Não conseguiam nada, de vez em quando uma ainda dizia:
- Nem chegam aos pés do velho.
Não davam bola, achavam que era uma gíria local. Continuavam tentando, estavam de férias, tinham muito tempo ainda.
Tentavam, tentavam, investiam e nada; sempre a mesmo comentário:
- Nem chegam aos pés do velho.
Um dia conversaram a respeito como tio de um deles já que estavam hospedados em sua casa.
Lógico que o tio como morador da cidade sabia o que era e sabiamente aconselhou:
- Nem adianta ir atrás. É melhor irem pescar, nadar e relaxar.
O Velho é o maior conquistador daqui, chegou há uns dez anos aproximadamente, desde então só dá ele. Ninguém sabe o porquê, pelo menos nenhum homem que eu saiba.
Ou então deixem isso para lá e continuem tentando; quem sabe vocês não conseguem achar uma que não caiu nas garras do velho? – então o tio deu um sorriso e saiu para dar um passeio.
Mas o que o tio não sabia era que quando as meninas falavam, eles entendiam que,  eles pareciam uns velhos ou qualquer outra coisa do gênero. Quando ficaram sabendo a verdade, bom ficaram mais irritados.
- Como pode um velho nos passar para trás? – começaram a argumentar – isso não é possível. Temos que tirar isso a limpo. Vamos atrás do velho.
E começaram a caçar o velho, perguntavam, procuravam e nunca achavam.
Já estavam quase desistindo, afinal estavam de férias, procuravam diversão, e não ficar atrás de um velho.
Até que um dia avistaram três morenas lindas que não haviam visto antes. Foram até elas, conversaram, tentaram e novamente, nada. Se afastaram e ficaram sentados no banco da praça se lamentando.
Já estavam até achando que a história do velho era uma invenção, quando escutaram risadas e viram que eram as morenas que eles tinham acabado tomar um fora.
E não era que no meio delas estava o velho, ele conversa com as três durante cinco minutos e para total surpresa deles todos saem abraçados.
Não conformados é lógico que seguem o grupo, que vão até uma casa afastada da cidade onde o velho mora.
Não arredam o pé de lá até elas saírem.
As moças saíram da casa de madrugada, cabelo desarrumado e batom borrado, como toda boa noite de sexo.
Os rapazes embasbacados, não queriam acreditar no que os olhos viam. Passaram então a seguir o velho.
Era sempre a mesma coisa, ele se aproximava, cinco minutos de conversa, e lá iam para casa do velho, ou delas mesmo.
As férias estavam acabando, e os rapazes chegaram ao limite, um dia cercaram o velho:
- Pode ir abrindo o bico coroa. Qual é o lance com as mulheres? O que você diz para elas? – foram dizendo com muita raiva.
Mas o velho não queria falar, os rapazes insistindo e ameaçando e o velho nada de abrir a boca.
Continuaram insistindo, e o velho resistindo. Um dia, dois, uma semana, duas. As férias já tinham acabado, mas fizeram um pacto:
- Só vamos embora quando aquele velho falar.
Pacto selado com sangue, coisa séria. Agora não podiam ir.
Até que um dia o velho resolveu falar.
Cinco minutos de conversa, com os três ao mesmo tempo. È; foram para a casa do velho, é saíram de madrugada, relutando em ir embora.
Decidiram não mais ir embora da cidade. Hoje já não são tão rapazes assim, na verdade estão mais delicados.
A cidade passou a chamá-los de “As Irmãs Cajazeiras”. Mas eles (ou elas) dizem que não ligam; que o importante é não perder o velho.
Agora se está curioso em saber o que o velho falou.
Vai lá perguntar, vai.
Só dura cinco minutos.
Marco A Gaspar
Enviado por Marco A Gaspar em 22/09/2007
Código do texto: T663414

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Sobre o autor
Marco A Gaspar
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 45 anos
25 textos (686 leituras)
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Marco A Gaspar