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Encontrei no semáforo um menino vendendo panos de prato. Nas mãos trazia uma plaquinha com os dizeres: 1 por dois reais, 3 por cinco reais e 6 por 10 reais. Não o vi falando nenhuma frase, apenas olhando para os motoristas, abrindo um sorriso e mostrando a placa. Do outro lado, uns jovens de camisas brancas silkadas com Casa do Menino Esperançoso e todos falando, ao mesmo tempo, invadiam os vidros do carro com uma folha de um projeto na mão e pediam moedas para a construção da casa de recuperação de dependentes químicos. Na frente, dois homens tocando gaitas e dançando.
Não fosse a rapidez do momento, talvez percebesse mais sobre o entorno, mas aquela imagem panorâmica foi suficiente. Passamos muito tempo tentando vender ideias frouxas que nem nas mais certas constatações ou embasamento científico, as tornaríamos matéria bruta, o sujeito  está para o relativo tal qual Einstein pro relativismo. E não tem filosofia de butiquim no cenário, é ciência exata ditando regras, é lógica, álgebra, matemática, e a física pomposa engrossando o enredo.
Jiló e repolho fazem bem, meu caro, mas se tiver agrotóxico em demasia, já faz contrapeso com um hamburgão artesanal, e na balança, mais vale quem pesa menos, a ditadura da moda faz vegano, digo, a ditadura da moda atropela a pessoa, sem critério. Proteína na veia, não! E tá lá mais um corpo estendido no chão: anorexia, bulimia, covardia... Tudo na revista de moda mais badalada das celebridades. No fundo, todo mundo queria ser magro.
- Tira a pele do frango! Colesterol mata. Estão tirando a pele do frango e o colesterol continua assassinando com sua arma branca. Autocontrole é tudo, mas se puder controlarmo-nos uns aos outros, melhor não? A gente manipula por aqui (se vê também, se conveniente: plim plim). E o pó de pirlimpimpim!
Mas depois da viagem no mapa da sobriedade alterada (relação causa x efeito), volto pra imagem do semáforo. As diversas formas de expressão num meio. A música ficava meio fora do contexto com aquele barulho de carros, nas 3 vias que formam a área central da cidade, incomodava, mas peraí: não sou amante das canções? E lá estava ela, a letra sendo balbuciada pelo rapaz de camisa verde que parecia um intérprete, relativo, claro. Música é bom, mas para ouvir no silêncio ou cantar no carro, no semáforo, era poluição causava cansaço: - desliga isso! Relativo.
Os meninos que vendiam uma ideia por moedas, pareciam antipatizantes, eram recebidos com olhares ríspidos, não seria a forma de abordagem? Mas a causa que os levou até o semáforo não é louvável? Relativo?
Já o menino que vendia panos de prato, sinceramente, a memória falhou e não sei se eram de prato ou de chão, tinha algo que atraia as pessoas, eram receptivos ao vê-lo, seria por conta do sorriso, da plaquinha, do silêncio? Mas não é o silêncio que mata centenas de desencorajadas a promover denúncias de violência ? Relativo...
Com tudo isso, e sem muita perspectiva de ver a noite enluarada, já que as nuvens, emotivas, andam chorando, vou abrir um refrigerante.
- Refrigerante? Não pode! Tem açúcar em excesso, um veneno. Ô vilão!
- Gente, mas tu não comeu 3 paçocas hoje? Sorvete e pudim ontem? E o refrigerante vai me matar não é? Oxente! Jogo no ralo?
Vem a hora de distribuir os pontos do dia e fazer exame de consciência e... Tolerância: zero!
Mônica Cordeiro
Enviado por Mônica Cordeiro em 16/05/2019
Reeditado em 16/05/2019
Código do texto: T6648229
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Mônica Cordeiro
Conselheiro Lafaiete - Minas Gerais - Brasil
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Mônica Cordeiro