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LUA GIGANTE NO CÉU
A lua estava mais bela que antes. Não conseguia parar de admirá-la, a noite com o céu negro bordado de estrelas, era verão mas a noite não estava muito quente.

Enquanto olho para a bela lua, abri a tela da minha vida e boas lembranças foi passando. Estava com doze anos, e morávamos na roça, na fazendinha que meu avô paterno deixava conosco, pois mudara para cidade de Santos Dumont em Minas Gerais, abriu um hotel e foram morar lá. Meu pai era o filho mais velho, estava casado, e não queria sair da roça. Mas neste dia era noite de ano novo, lua cheia e ele foi passar o ano novo com seus pais. Nós ficamos com a mamãe prestes a dar à luz.
Havia uma parteira, e minha avó mãe dela estavam ambas com ela. Colocaram um colchãozinho na grama em frente à casa e diziam elas que a cegonha ia trazer um bebê.

Eu e meus irmãos ficamos olhando para o céu vendo a lua e esperando a cegonha. Até eu, que vergonha, como era inocente. A lua parecia imensa, e de repente a parteira pediu que eu e minha irmã fôssemos ao vizinho que tinha carro, para levar minha mãe para o hospital, a cegonha dissera que havia problemas para trazer o bebê, que não queria nascer.

E fomos correndo buscar o vizinho, enquanto as duas tentavam fazer o bebê nascer. Enquanto fomos lá meu irmão nasceu, minha avó disse que foi um milagre pois o bebê nasceu ao contrário. Não precisou de levar minha mãe para o hospital, e a cegonha trouxe um bebê muito lindo.
Enfim tudo terminara bem, mas escutei minha avó falar com a parteira que minha mãe havia desmaiado e por pouco os dois não morreram. Por fim elas mandaram eu e meus irmãos entrarmos para dentro de casa, e escutamos o choro do bebê, minha avó disse que logo que entramos a cegonha colocou o bebê no colchãozinho, por isso nós estávamos trancados no quarto da sala, ouvindo o bebê chorar.

 Fiquei muito tempo imaginando o que era isso, o parto, e a cegonha. Não havia livros, TV, nada que pudesse me explicar, e só fui aprender quando nasceu minha primeira filha, quando eu estava já casada, com dezesseis anos. Nem imaginava que a criança nascia pela vagina, que essa se dilatava no parto. Antigamente as mães não conversavam conosco a respeito de partos e sexo. Sempre que tentava saber, minha mãe desvia o assunto, falava que não era assunto para crianças...

Creio que íamos aprendendo, de acordo com cada evento que ia aparecendo na vida da gente. As crianças nasciam com parteiras, este era o sétimo filho de minha mãe. E não havia como evitar tantos partos, quanta desinformação e ainda não havia anticoncepcional, como sofriam as mulheres que moravam na roça. Minha mãe sempre foi uma pessoa alegre, interagia muito conosco, creio que sabia superar rápido suas dores. A vida era simples e a gente se sentia feliz com pouca coisa. Não havia consumismo e ambição. O amor era tudo, a saúde a maior riqueza.

E sempre que vejo uma linda noite de luz cheia, bem gigante, lembro do nascimento de meu lindo irmão. E nunca esqueci daquele lindo bebê de olhos verdes. Era lindo demais, a cegonha caprichara enfim.

 
Nossa página está no ar. Exercício Criativo
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 OLHANDO A LUA CHEIA NO CEU, EU E MINHA MÃE...LEMBRANÇAS...MUITOS ANOS DEPOIS...
 
Norma Aparecida Silveira Moraes
Enviado por Norma Aparecida Silveira Moraes em 20/05/2019
Reeditado em 02/06/2019
Código do texto: T6651698
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Norma Aparecida Silveira Moraes
Suzano - São Paulo - Brasil, 62 anos
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4 áudios (722 audições)
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Norma Aparecida Silveira Moraes

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