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Tantas línguas

  A melhor razão para aprender novas línguas, para mim, não é poder me expressar diante daqueles que têm este idioma como o principal, especialmente quando coabitamos em seu espaço. Esta pode ser a mais importante, mas vejo um motivo mais interessante, que é aprender conceitos, através de termos e expressões, que não conseguimos externar precisamente na imperfeita, como todas as outras, língua portuguesa.
  Todas as línguas faladas hoje no mundo inteiro são adaptações de idiomas predecessores, e toda adaptação perde algo com relação ao original. Assim as línguas vão ficando empobrecidas, e por isso a necessidade de agregar ao nosso vocabulário alguns verbetes e expressões estrangeiras.

  Embora a língua portuguesa seja bastante rica, além de um tanto quanto complexa, não conseguiríamos nos comunicar sem o auxílio de outros idiomas, dos antigos aos modernos. Freqüentemente, recorremos ao francês para reconhecer um déja vú, um affair, um buffet, um reveillon, etc. Do inglês, além dos termos que utilizamos por necessidade, como show, canyon, slogan, impeachment ou stress, nos acostumamos a vários caprichos, como shopping center, ticket, barman, fashion, e por aí vai. Do latim, que hoje só é língua oficial no Vaticano, conservamos expressões como curriculum vitae, quorum, status quo, post scriptum (o popular P.S.), entre outras.
Blues, essa palavra simpática, é uma expressão surgida na Inglaterra (a partir dos Blue Devils, algo como “demônios azuis”), que exprime uma dor inquietante, uma mágoa mal explicada dentro do indivíduo, que acaba com o sono e o ânimo, embora não seja patológico. Apesar de todos os sentimentos serem universais, a língua portuguesa não chegou a um termo que traduza, com a eficácia do “blues”, tal estado de espírito.

  Certamente, conhecer expressões que nos ajudem a expressar com mais exatidão o que queremos dizer é imprescindível. Mas é bom lembrar que tanto em um texto, quanto em uma conversa, o mais importante é que haja comunicação, ou seja, que se ponha idéias em comum. Por isso, é necessário ser o mais claro possível no uso da linguagem, evitando floreios desnecessários, para que sejamos compreendidos e bem-interpretados por nossos interlocutores, que às vezes podem boiar diante de um choro carregado de “blues”, ou de uma consolação estilo “c’est la vie”.
Andrei Andrade
Enviado por Andrei Andrade em 24/09/2007
Código do texto: T666216
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Sobre o autor
Andrei Andrade
São Francisco de Paula - Rio Grande do Sul - Brasil, 31 anos
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Andrei Andrade