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Mãe...

MÃE

Hoje mais do que nunca, sinto tua falta.
Hoje mais do que nunca, me dei conta do vazio que tua ausência provoca.
Venho me sentindo triste dia a dia e envolvido na luta cotidiana não havia percebido o quanto me sinto perdido desde que te fostes. Tenho muita saudade da tua voz, do teu olhar e principalmente do teu carinho. Acho que te procuro em todos os lugares por onde passo e é engraçado me surpreender, te procurando pelas ruas de Sampa, tentando visualizar uma época que se perdeu no tempo. Vejo ruas com poucos carros, prédios antigos, figurinos demodées e homens mais cavalheiros interagindo com mulheres mais femininas e mais elegantes. Quase posso sentir o cheiro úmido de um ar não tão poluído, os cheiros de pastéis e caldos de cana que nem sempre podias comprar pra mim.Vejo-me refletido em vitrines iluminadas, segurando tua mão macia, sentindo o calor gostoso do teu corpo nos frios finais de tarde quando voltávamos para casa e paravas para ver roupas e objetos que jamais teríamos. Era bom dormir no teu colo, sentindo o cheirinho gostoso de lavanda que vinha de ti, embalado pelo balanço do ônibus quase sempre lotado. Ainda sinto aquela deliciosa sensação da água quentinha na bacia de folha de flandres e o aroma de sabonete Vale Quanto Pesa, que era um dos poucos luxos que podíamos ter. E o cheirinho gostoso do feijão cozido na hora, que eu gostava de comer ainda sem tempero, só com sal, enquanto terminava a tarefa escolar. Lembro ainda da prece dita de joelhos ao lado da cama, quando eu abria um dos olhos pra ver como fazias pra falar com Deus. Nunca descobri como sempre conseguias estar ao meu lado me acalmando, quando acordava sobressaltado  pelos pesadelos infantis e de onde tiravas forças pra levantar tão cedo, quando passavas uma madrugada insone lutando com meus delírios febris. Como eram gostosos os passeios por bairros desconhecidos para mim, descobrindo coisas novas todos os dias e aprendendo a discernir entre o bem e o mal através da tua ótica. Sinto falta dos domingos preguiçosos, quando podíamos ficar até mais tarde na cama, vendo o sol entrar pelos buraquinhos do telhado ou ouvindo o barulhinho gostoso da chuva. E as “águas de março” que aparavas em vasilhas de louça, da calha no canto da casa e me fazias beber para ter boa sorte...
São tantas as lembranças... tão boas e tão doloridas, misto de saudade e melancolia...mas sem dúvida, inesquecíveis... Foram os melhores anos de minha vida e hoje ficou o vazio da tua ausência...
Hoje mais do que nunca, sinto a tua falta, mamãe...

14/05/2006
Luiz da Silva Rosa
Enviado por Luiz da Silva Rosa em 25/09/2007
Código do texto: T668567
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Luiz da Silva Rosa
Santa Isabel - São Paulo - Brasil, 61 anos
71 textos (6901 leituras)
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Luiz da Silva Rosa