50.000 LEITURAS. Um brinde a todos

Em setembro de 2005, mais precisamente no dia 16, publiquei um texto comemorando mil leituras, “Brinde a 1000”. Hoje, setembro de 2007, verifiquei que aquele número marca cinqüenta mil leituras, passados dois anos desde que aportei aqui no Recanto das Letras. Talvez o fato passasse despercebido devido ao momento que vivo, convalescendo de uma cirurgia e recém-saída de uma internação por causa de uma labirintopatia rebelde, que assustou familiares e deu bastante trabalho, primeiro, ao médico de plantão no pronto-atendimento e, depois, à equipe de neurologistas, acionada para assumir o caso.

Mas por que o fato não passou despercebido? Eu respondo. Quando se vê a vida por um fio e percebemos quão estreito é o limite que nos separa da outra margem do rio, dá uma vontade enorme de sair comemorando o simples fato de estar viva e poder testemunhar mais um dia que amanhece, mais uma tarde que se despede, mais uma noite que chega, o poder olhar o céu e contemplar as estrelas, o luar, ouvir o barulho da vida incessante ao redor. Mirar o céu e pensar que algum dia farei parte dessa imensidão azul, como um pontinho reluzente, uma consciência contida num naco de pozinho cósmico, enfim de alguma forma estarei um dia por aí, porque acredito na imortalidade da alma, na volta à origem de tudo. Algum dia. Mas não agora e isto me dá uma imensa alegria. Ainda me deleito em estar presente neste corpo, com a companhia dos que me são caros. Exulto em pensar que simplesmente existo.

Vir ao PC e constatar cinqüenta mil leituras. Não é só pelo número, mas por tudo que ele representa, sobretudo a trajetória desse tempo passado na companhia de todos quantos visitaram minha escrivaninha, leitores, visitantes, buscadores.

Aqui fiz amigos, aprendi admirar escritores, pois tentando escrever, percebi que não é fácil manter constante a chama da inspiração, o ofício exige também muito talento, competência, disciplina, perseverança e dedicação.

Hoje sei que sou uma simples aprendiz, o ato de escrever para mim é fruto de muita transpiração, não tenho aquela inspiração que faz a palavra brotar como água da fonte,

como letras que vão colorindo a página em branco feito mágica. Muitas vezes a aridez do cotidiano, a própria rotina, não dá lugar à emoção e o que resta é o olhar estupefato diante a realidade que se apresenta. Não sou dada a arroubos pueris, posso admirar a beleza da flor, emocionar-me ante um gesto nobre, deixa-me seduzir por uma bela peça musical, um espetáculo teatral, um nascer ou por do sol, mas por temperamento, vivencio esses e outros eventos em silêncio, sem tocar a beleza que se exibe e verbalizar sobre ela.

A vida fez-me assim. Alguém me disse que me assemelho a uma coruja que fica num canto a observar. Verbalizo pouco, mas na maioria das vezes, vejo mais do que deveria.

Quero agradecer e festejar com todos vocês, recantistas, leitores, visitantes e buscadores, amigos, colegas, quem gosta do escrevo, quem não gosta, quem já leu, quem nunca leu, quem ainda lerá. Gostaria de citar todos os nomes daqueles que deixaram comentários nos meus textos, mas a lista seria longa. A todos eu agradeço.

Junto com todos vocês, quero erguer um viva, a este número tão bonito de leituras e ao fato de estarmos vivos, convivendo neste espaço dedicado à palavra. Que seja ela, a palavra, nosso instrumento de edificação sempre, de buscarmos o entendimento, a paz, o crescimento, de espalhar amor, amizade, verdade.

Obrigada a todos. Que as taças tilintem repletas de bons sentimentos e vida longa para todos nós. Festejar é preciso, e receber o carinho de vocês é um pretexto e um motivo mais do que justificado.

28/09/2007