estrada

Estrada de Rio Negrinho

Este janeiro quente e úmido,

além das expectativas, arranca de dentro do capim

as painas brancas. Agora, balançam frenéticas pelo

vento indeciso. E vêm chegando, como quem não quer nada

uns lírios brancos, que, no inverno cederão lugar para os

cipós que soltarão sua flor avermelhada.

Vou anotar na minha agenda: alguém me diga o nome desse

cipó que enfeita as árvores secas com sua flor vermelha.

E ocorre que eu faço este percurso há 6 anos, conheço cada

estria deste asfalto. Conheço o susto das painas quando passa o caminhão pesado e espalhando seu vácuo pelo acostamento. E as pedras que rolam, coitadas, conhecem também o meu cenho franzido e o meu costume de lhes atirar umas cascas de maçã, quando passo por aqui sem o meu café da manhã. Sabem até quando estou atrasado no meu roteiro e quando estou feliz de sobra.

Sabem estas pedras, painas e cipós tudo do que me vai n’alma.

Pois de inocentes que são, desconfiam que tenho uma.