MANHÃ DE DOMINGO.

Manhã de Domingo, dia silencioso, extremamente quente.

Manhã de Domingo, o aroma do café invadiu a casa toda… Não perco tempo.

Manhã de Domingo, levantei-me apressadamente, lavo o rosto, escovo os dentes, trocar de roupas, vou para a cozinha. É a aromática e convidativa bebida tão brasileira me convidado. Tomo o meu café sem muita demora, no mesmo silêncio dos dias anteriores. Do lado de fora, a luz tímida do sol começa e percorrer o quintal, alcança à janela da cozinha, em pequenos filetes ganha o interior da casa.

Verdade seja dita - eu não gosto do domingo - O dia em si é como os demais no restante da semana, entretanto, existe qualquer coisa 'neste em específico' que não compreendo. Talvez seja o meu preconceito concebido de anos anteriores, das muitas vezes em que nesse dia, tudo era um tormento da primeira à última hora. Mas, esse tempo passou, restaram as lembranças perambulando no pensamento e as cicatrizes na alma. Às vezes, muito raramente eu diria, esse tipo de pensamento me assalta de momento, incomoda, a verdade é que não sei como me livrar dele, contudo, essa sensação passa… Sempre passa.

O dia mais uma vez se arrasta, e os ponteiros do relógio mostram-se mais cruéis do que nunca, o silêncio e a ociosidade chegam ao extremo, o desespero toma conta do meu ser, de meu coração, da alma por inteiro, quero tudo e nada ao mesmo tempo.

Lembrei-me do beija-flor - não sei o motivo - àquele mesmo de outrora, a razão dessa lembrança foi devido à um sonho que tive, sonho esse incomum. O sonho deu-se da seguinte maneira:

( Lá estamos nós, eu, o beija-flor, ela, ave majestosa, com todo o resplendor da sua beleza, sendo banhada pela luz do sol, e em um instante, aquela magnânima ave olimpiana, transformou-se na mais bela donzela. O meu coração de pronto enlouqueceu, o fogo da paixão tomou-me por inteiro, o coração disparou no peito. Ela ao aproximar-se de mim, banhou-me com o frescor de seu perfume, sua lívida face resplandecia, os olhos feiticeiros me hipnotizava, os lábios divinamente esculpidos. Ah! Desejei-os de pronto, então, de repente, aqueles lábios de perfeição sugaram dos meus em um ardente beijo a seiva da vida, e me vi desfalecido aos seus pés.)

Assim foi o sonho, embora pareça até que ainda estou sonhando; não sei quando verei o beija-flor dos sonhos novamente, eu o quero, o desejo, mas…Bom… Os sonhos são assim, imprevisíveis, incompreensíveis, irreais. E nesta minha momentânea solidão domingueira, tenho apenas as lágrimas como companheiras, testemunhas da minha dor. Pretendo, eu acho, transformar minhas neuróticas imaginações em versos, como sempre faço nessas ocasiões. Quem sabe talvez, o meu coração se acalme, e minha alma se ajuste à jaula deste corpo mortal.

Tiago Macedo Pena
Enviado por Tiago Macedo Pena em 03/11/2019
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