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UNS COM TANTO, OUTROS COM TÃO POUCO.

UNS COM TANTO, OUTROS COM TÃO POUCO.

Ouvindo a conversa de dois jovens dentro do trem, enquanto voltava para casa depois de um dia de trabalho, chamou-me a atenção os planos de um deles. “Eu quero ser astronauta, que nem aquele cara que foi pra estação espacial com os Russos” dizia ele. Daí, comecei a pensar em tantos outros que já conheci, com sonhos parecidos e que continuam sonhando com as mesmas coisas depois de muitos anos, mas não realizaram nada.
Em momentos assim, lembro de um cineasta que, uma vez, disse, após ter seu filme reconhecido pela crítica e pelo público, que, no começo, tinha apenas uma idéia na cabeça e uma câmera nas mãos. Na verdade, ele tinha uma coisa que todos têm, uns um pouco mais; outros um pouco menos: talento. Mas não era só isso. Ele também tinha vontade suficiente para colocar em prática o que sonhava e encontrou uma oportunidade de realizar o que pretendia. Tudo isso junto teve como resultado o sucesso de que agora desfrutava.
Infelizmente, nem todos dispõem de todos os ingredientes necessários para uma mistura perfeita. Uns têm muito talento, mas lhes faltam oportunidade e coragem. Outros têm vontade forte e oportunidade, sem muito talento. Outros, ainda, têm talento e coragem, sem jamais terem uma oportunidade de mostrar do que são capazes. Separadamente, cada um desses fatores não vale quase nada. Quando juntos, formam um todo irretocável, capaz de conduzir quem os reuni ao ponto mais alto que puder imaginar.
A verdade é que a capacidade de sonhar é dada igualmente a todos. Ocorre que alguns desperdiçam a vida sonhando, em vez de mobilizarem suas forças na tarefa de acumular uma quantidade de vontade suficiente para, pelo menos, tentarem concretizar o que desejam. Tão ruim quanto isso, no entanto, é ter ambições que vão muito além do que o talento de que dispõem pode permitir chegar. Contudo, o pior de tudo é estar plenamente preparado, mas deixar as oportunidades escorrerem por entre os dedos, sem mover um só músculo. Nesse último caso, o talento e a vontade têm para essa pessoa mais ou menos o mesmo valor que uma televisão ligada sem volume tem para um cego.
Em momentos como esse, a gente se questiona sobre o que seja, de fato, justiça. Será dar coragem para quem só tem talento e oportunidade? Quem sabe, providenciar oportunidade para quem tem vontade e talento? Ou, talvez, dotar de talento suficiente e oportunidade alguém que só disponha de vontade? Resposta difícil essa, não? Enquanto não a descobrimos, resta-nos apenas lamentar tantas vidas jogadas fora.
Everton Falcão
Enviado por Everton Falcão em 04/10/2007
Código do texto: T679720
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Sobre o autor
Everton Falcão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 57 anos
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