Duas galinhas

Alheias ao seu destino, elas seguem nas mãos dos homens que as tomam pelas asas. Assim é o destino que nos toma através da vida, protegendo-se em seu mistério.

Toma-nos por meio de mãos invisíveis e por isso diferente daquelas que levam as duas galinhas.

Pode haver alguma resistência, assim como as galinhas que por mais tolas que sejam, podem fazer uso do que chamam de liberdade e se debaterem na esperança de fugir sabe se lá para onde; como se houvesse uma saída...

Qual será o fim daquelas galinhas?

Não me é possível saber, pois o destino também me toma e o que me resta é servir de consciência as galinhas. Esse é o uso da liberdade que penso possuir.

Ah, sou tão tolo quanto qualquer espécime de galinha.

Eu que por atrevimento já dei consciência a uma cobra e permaneci desde então a rastejar em círculo sobre meu próprio corpo, agora, estou a me debater como uma galinha estrangulada para o almoço de domingo.

Basta, eu preciso me esquecer das galinhas e voar, não, eu na verdade preciso botar um ovo, o que chamam de esperança.